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Ao lado de Cármen Lúcia, Temer prega harmonia é o título de matéria no Valor

Em pleno acirramento da crise com a Procuradoria-Geral da República, devido ao pedido de suspeição do chefe da instituição, Rodrigo Janot, o presidente Michel Temer pregou ontem a harmonia entre os Poderes, tendo ao seu lado a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia. Em mensagem velada ao procurador-geral da República, Temer afirmou que há uma visão “autoritária da ideia de autoridade”, quando é a lei que deve imperar. Num momento em que o governo discute a ampliação do déficit fiscal, o presidente disse que o governo toma medidas rigorosas para sanear as contas públicas.

Na solenidade de assinatura de acordos de cooperação entre a Advocacia-Geral da União e as procuradorias-gerais dos Estados, os discursos de Temer e da presidente do STF foram igualmente em tom conciliador.

O evento ocorre uma semana após a polêmica decisão da Câmara de suspender a investigação contra Temer, em que o presidente foi acusado de trocar emendas parlamentares bilionárias por votos. Ocorre, igualmente, dois dias após a polêmica reunião com a sucessora de Janot, a procuradora Raquel Dodge, às 22h no Palácio do Jaburu, fora da agenda oficial.

Na cerimônia, Temer aparece no meio, tendo de um lado a presidente do STF, Cármen Lúcia, e do outro a ministra-chefe da AGU, Grace Mendonça. Temer criticou o abuso de autoridade e ressalvou que a lei deve ser hegemônica.

“Há uma visão muito autoritária da ideia de autoridade, porque as pessoas acham que autoridade é autoridade constituída e quando, na verdade, a única figura que tem autoridade no nosso sistema, é a lei”, afirmou.

“Você só abusa da autoridade quando ultrapassa os limites da lei”, completou, em mensagem indireta ao procurador Rodrigo Janot, a quem acusou de atuar com suspeição na investigação por corrupção passiva, obstrução de justiça e formação de quadrilha. Temer e seus aliados receiam que Janot apresente, antes do fim do mandato, uma segunda denúncia contra o presidente.

Temer apontou a sintonia entre sua manifestação e a da presidente do STF, que ressaltou a harmonia entre os Poderes. “A harmonia entre os Poderes é uma determinação constitucional. A soberania popular determinou a harmonia e independência entre os Poderes”, registrou.

Mais tarde, em solenidade no Planalto, Temer anunciou, ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, a distribuição entre todos os trabalhadores dos lucros do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, no valor global de R$ 7 bilhões. Num momento em que o governo cogita ampliar em R$ 20 bilhões o déficit fiscal e aumentar impostos, o presidente tentou justificar a adoção dessas medidas.

No esforço de justificar a iminente adoção de medidas amargas para sanear as contas públicas, Temer afirmou que seu governo realiza ações visando à responsabilidade social e fiscal. Ou seja, ao mesmo tempo em que anuncia uma “bondade”, como a distribuição dos lucros do FGTS, ele prepara o anúncio das “maldades”, em nome do equilíbrio fiscal. “A cada dia nós praticamos um ato, ora da responsabilidade social ora fiscal, o governo não mente para o povo brasileiro. Muitas vezes, toma medidas rigorosas mas indispensáveis para a higidez das finanças públicas do nosso país”, justificou.

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