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Presidente do BNDES recua e defende nova taxa do banco, diz O Globo

Após ter criticado abertamente a proposta do governo federal para a nova taxa de referência para os empréstimos do BNDES, a TLP, o presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, recuou e disse ontem estar “totalmente vinculado” à medida provisória que criou o instrumento. A Taxa de Longo Prazo (TLP), que reduz os subsídios nos empréstimos, substituirá, a partir de janeiro do ano que vem, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada atualmente nas operações do banco. A nova taxa foi estabelecida por meio da medida provisória (MP) 777, que está em tramitação no Congresso Nacional.

Estou decorando a MP 777 para saber o que o governo propôs para eu poder endossar. Eu não tenho que ter proposta. O único que tem que ter proposta é o presidente — afirmou Rabello.

Perguntado sobre a MP, após evento no Palácio do Planalto, Paulo Rabello afirmou que vai conversar com os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento), para ouvir “instruções” sobre a proposta. Segundo fontes, o presidente do banco foi “enquadrado” pela equipe econômica porque teria “falado demais” sobre a TLP.

Estou totalmente vinculado à medida provisória. Vou saber quais as instruções que ele (Meirelles) e o Dyogo têm a me indicar. Sou um técnico do governo, dos mais modestos. Eu só executo — disse.

O objetivo do novo modelo de juros do BNDES é diminuir a diferença entre os custos que o Tesouro Nacional tem para captar dinheiro no mercado (Taxa Selic, de 10,25%) e a taxa dos empréstimos do banco, medida pela TJLP (de 7%). Essa diferença, chamada de subsídio implícito, já custou R$ 5,9 bilhões aos cofres públicos até março. Em 2016, a conta chegou a R$ 29,1 bilhões, segundo dados do Tesouro.

A MP está em tramitação no Congresso. Em entrevista ao GLOBO, o relator, deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), afirmou que foi procurado pelo presidente do banco, que ficou de sugerir alterações na TLP:

O presidente do BNDES me procurou, fez algumas ponderações, disse que iria apresentar sugestões. Vou analisar. Minha tarefa é ouvir o maior número de pessoas. Esse problema interno do governo, eles é que têm de resolver. É preciso que o governo se entenda. A opinião do governo, até agora, é de total a apoio à MP. Eles que alinhem o discurso deles. Até agora, era uma questão uníssona no governo. Mas agora o presidente do banco me procurou para fazer ajustes. Estou aguardando as considerações que ele vai enviar.

Ontem, Paulo Rabello negou ter sugerido mudanças ao relator da MP:

Na realidade, fui ao relator para nomear quais pessoas iriam participar da audiência em nome do BNDES. Fui chamado para resolver um assunto burocrático. No entendimento dele, havia muitas emendas, e me pediu sugestões.

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