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Funaro é transferido para fazer delação é o título de matéria no Estadão

O corretor Lúcio Funaro foi transferido ontem do Complexo Penitenciário da Papuda para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A mudança foi solicitada pelo advogado Antonio Figueiredo Basto e visa a facilitar a produção dos anexos da delação premiada que Funaro está negociando com a ProcuradoriaGeral da República (PGR).

Os principais alvos do acordo são o presidente Michel Temer, os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, além do deputado cassado Eduardo Cunha, todos do PMDB. Outro alvo será o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

Desde a revelação do acordo de colaboração dos executivos da JBS, na qual Funaro foi apontado pelo empresário Joesley Batista como operador financeiro do PMDB da Câmara, grupo político de Temer, o corretor voltou a negociar uma delação. Antes, havia interrompido as conversas com os investigadores por causa dos pagamentos que recebia do Grupo J&F.

Nas últimas três semanas, enquanto participava das audiências do processo da Operação Sépsis, na Justiça Federal de Brasília, Funaro vinha escrevendo em um computador e em um caderno espiral os resumos do que entregará no acordo. Além de detalhar sua atuação para o PMDB da Câmara, o futuro delator deverá explicar sua relação com o presidente.

Funaro pretende confirmar ter recebido valores de Joesley para não fazer um acordo e evitar problemas para Temer e seu grupo político. Seus depoimentos devem ser usados na denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prepara contra Temer pelo crime de obstrução da Justiça.

Reunião. Há duas semanas, após uma das audiência da Sépsis, Funaro chegou a se reunir por cerca de 30 minutos com o procurador Anselmo Cordeiro Lopes em uma sala reservada onde discutiu os principais temas que delatará. Anselmo é o procurador das Operações Sépsis e Greenfield.

Já na semana passada, depois de mais uma audiência, o advogado Figueiredo Basto chegou ao prédio da Justiça e informou Funaro de que o juiz Vallisney de Souza, da 10.a Vara Criminal, havia autorizada a transferência para a carceragem.

Temer, Geddel e Henrique Alves negam envolvimento em irregularidades.

Cunha tenta de novo constranger Temer ao enviar perguntas

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em nova tentativa de constranger o presidente Michel Temer (PMDB), reservou seis perguntas de um total de 22 para falar do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB). Temer é sua testemunha de defesa em ação que apura supostas irregularidades no Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS). Os questionamentos foram encaminhados a Temer ontem pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10a Vara Federal do Distrito Federal. O presidente pode responder por escrito.

Moreira, um dos aliados mais próximos de Temer, também terá de prestar depoimento. Ele foi convocado a comparecer em juízo na ação, também contra o exdeputado e ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o corretor Lúcio Funaro.

 

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