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Atos a favor da Lava Jato levam menos gente às ruas é a manchete da Folha

Enquanto a classe política debate maneiras de minimizar os efeitos da Lava Jato sobre si, as manifestações convocadas em diversas cidades do país para a defesa da operação tiveram adesão acanhada neste domingo (26).

Chamados pelos grupos que encabeçaram as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016, os atos tiveram um público muito inferior ao dos protestos do início do ano passado, quando a pauta principal era a saída da então presidente.

O maior deles, no dia 13 de março de 2016, chegou a reunir cerca de 500 mil pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, segundo o Datafolha.

Neste domingo, a estimativa de organizadores é de que cerca de 15 mil pessoas foram às ruas na cidade. A PM não fez contagem de público.

Pelo menos 21 capitais tiveram protestos neste domingo, segundo levantamento da Folha. Em algumas cidades, como Belém e Manaus, não havia mais que cem pessoas.

Em Porto Alegre e Recife, a estimativa dos organizadores não passou de 5.500 pessoas. Em Brasília, foram 500 pessoas, segundo a Polícia Militar. No Rio de Janeiro, manifestantes decidiram não divulgar números de público.

O motivo apontado pelos grupos para a menor presença de pessoas é a difusão de pautas do protesto.

Em São Paulo, sobre cerca de cinco carros de som, movimentos como Vem Pra Rua, e MBL (Movimento Brasil Livre) discursaram sobre temas que variavam desde a defesa da Lava Jato, o fim da contribuição sindical compulsória até pedidos de intervenção militar.

“O público é o que esperávamos”, disse o coordenador do MBL Kim Kataguiri. “Agora as pautas são diferentes. O impeachment mobilizava mais porque as pessoas estavam fazendo parte da história.”

No Vem Pra Rua, posicionado em frente ao Masp e que atraiu a maior parte do público, os principais alvos de críticas foram a anistia para o crime de caixa dois, o foro privilegiado, o sistema de lista fechada nas eleições e os projetos para aumentar o financiamento público dos partidos políticos.

Para o líder do movimento, Rogério Chequer, a oportunidade de “alertar a sociedade” sobre esses temas foi mais importante que o número de presentes no ato.

“A pauta não é mais binária, não é ‘sou contra’ ou ‘sou a favor'”, afirmou. “A gravidade do momento hoje é tão grande quanto era há um ano atrás. Mas os riscos agora não estão tão explícitos.”

No caldeirão de reivindicações, havia pautas opostas. Enquanto no carro de som do MBL os coordenadores discursavam a favor de reforma da Previdência, era possível encontrar manifestantes com cartazes contrários às mudanças.

No último dia 15,movimentos de esquerda levaram milhares às ruas contra a reforma e o governo do presidente Michel Temer.

Com a menor adesão de público, ganharam visibilidade na Paulista grupos mais radicais e com pautas heterodoxas, como os que pediam o retorno da ditadura militar.

Também sobraram críticas a políticos de diversos matizes. Os ex-presidentes petistas Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva se mantiveram alvos preferenciais das reclamações de manifestantes.

No entanto, diversos movimentos criticaram Temer, o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entre outros. Os senadores tucanos Aécio Neves e José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também foram alvo dos discursos.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes foi criticado por manifestantes que consideram suas falas contra vazamentos de delações da Odebrecht uma ameaça à Lava Jato.

Ao contrário de 2016, poucos políticos compareceram aos atos. Entre eles, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) foi o de maior destaque a ir à rua em São Paulo.

O ato na cidade teve ainda personalidades contumazes em protestos do tipo, como Alexandre Frota, Marcelo Madureira e Regina Duarte.

“Vocês são a razão do fim do meu medo”, discursou a atriz, em referência a declaração que deu em 2002, quando disse que tinha medo da vitória do PT na eleição presidencial.

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