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Propina e caixa 2 saíam da mesma conta de empresa, diz o Estadão

Tema de discussões jurídicas e políticas, a diferenciação entre caixa 2 e propina não existia para o ex-chefe do setor de Operações Estruturadas, conhecido como “departamento da propina” da Odebrecht.

Questionado pelo juiz auxiliar do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin em depoimento no dia 6 de março, Hilberto Mascarenhas afirmou que os valores para os dois tipos de pagamentos saíam das mesmas contas do setor abastecidas com caixa 2 da empreiteira. O depoimento do delator foi no âmbito da ação contra a chapa Dilma RousseffMichel Temer, que pode levar à cassação do atual presidente e à inelegibilidade da anterior.

O tema foi alvo de perguntas do juiz instrutor e do advogado do presidente Michel Temer, Gustavo Guedes. Para o juiz, Mascarenhas disse não haver no entendimento diferenciação entre propina e caixa 2.

O juiz questionou: “Nesse setor de operações estruturadas havia algum tipo de diferença entre valores que corresponderiam à propina devida em contratos em geral e valores que seriam simplesmente caixa 2 não contabilizado?”. E Mascarenhas respondeu: “Para mim é a mesma coisa, viu, doutor. Propina, caixa 2 e não contabilizado. É a mesma coisa. A única diferença que faço aí é que nós também pagávamos em determinado momento bônus do ano”.

Bônus. Sobre o bônus, o delator explicou que “era uma parcela que era paga por fora” e que “isso é caixa 2, não é propina, é caixa 2”. Embora tenha dito não diferenciar os dois tipos de pagamentos, Mascarenhas afirmou que apenas atendia às solicitações de repasses sem saber se os recebedores eram políticos.

A defesa de Temer perguntou diretamente qual era o entendimento do executivo sobre caixa 2, e tentou diferenciar o caixa 2 da empresa daquele pago para campanhas eleitorais. Segundo o delator, quando fala em caixa 2, se refere às próprias contas da Odebrecht. Ele disse também não poder afirmar que pagamentos em 2014 foram feitos para a campanha da chapa Dilma-Temer e que deixou o comando do setor meses antes da eleição.

O “departamento da propina” operacionalizava todos os pagamentos não oficiais da Odebrecht e chegou a movimentar, segundo ele, US$ 3,370 bilhões entre 2006 e 2014. Desse total, foram pagos US$ 450 milhões somente em 2014, mas ele não especificou o volume exato destinado a campanhas eleitorais neste ano.

Sobre o caminho do dinheiro dentro da empresa, o delator disse que os recursos de caixa 2, em algum momento, transitaram de forma legal nas contas oficiais da Odebrecht, mas, em outro momento, foi feita uma “geração” para o caixa 2.

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