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Para ex-diretor, setor é ‘propenso’ à corrupção é o título de matéria no Estadão

O ex-executivo da Odebrecht Luiz Eduardo Soares relatou em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o funcionamento do Setor de Operações Estruturadas – o departamento da propina da empreiteira. À Justiça Eleitoral, ele falou que o setor de construção “é muito propenso” à corrupção, no Brasil e no exterior.

O setor de construção é um setor onde isso ocorre com frequência, não só no Brasil como no mundo inteiro. Não é um produto de exportação brasileiro, eu acredito, que a utilização de pagamento de caixa 2 ou de propina para alavancagem de obras”, disse Luizinho, como é conhecido o ex-executivo na Odebrecht.

Soares foi transferido para o Setor de Operações Estruturadas em 2006, onde ficou até meados de 2014. Ele cuidava da abertura de empresas offshore e contato com bancos no exterior usados pela área para operacionalizar os pagamentos extraoficiais feitos pelo setor. Ele afirmou que muitos pagamentos eram feitos em razão das obras obtidas pela empreiteira fora do País.
O executivo afirmou que sabia da ilicitude dos pagamentos e que “tinha certeza que um dia isso poderia dar algum problema”. “No Brasil e, principalmente, no exterior”, disse. Para Soares, no Brasil era mais difícil “dar problema” porque o pagamento era feito em dinheiro em espécie.

Volúpia’. Segundo ele, após a Lava Jato, a Odebrecht passou a fazer as coisas com “menos volúpia”. O fechamento definitivo do Setor de Operações Estruturadas foi em 2015. Mesmo após o início das investigações, a área continuou funcionando porque “existiam alguns compromissos” a serem encerrados, de acordo com o delator.

O ex-executivo disse que ser chamado para integrar o setor não era um convite, mas uma “missão”. “Eu fui instado a seguir essa missão e fui”, afirmou. Soares era subordinado a Hilberto Mascarenhas, que, em depoimento ao TSE, disse que foi “intimado” por Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo, a participar do setor.

De acordo com Soares, conforme o faturamento da empresa cresceu, o volume de recursos movimentado no setor de contabilidade paralela também aumentou. “Ou seja, o senhor faz uma correlação entre o crescimento da empresa e o aumento de recursos, por exemplo, para corrupção e caixa 2?”, questionou o ministro Herman Benjamin. “Sim. É o que eu… minha visão do negócio”, respondeu o delator. “Em outras palavras, o caixa 2 e a corrupção estavam vinculados a este crescimento do volume de negócios da própria empresa”, completou o ministro. “Sim”, confirmou o ex-executivo.

Segundo ele, a partir de 2002 a empresa cresceu muito fora do País.

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