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Placar apertado alerta para dificuldades no Legislativo, diz o Valor

Preocupado com a vitória apertada na Câmara na votação do projeto que regulamenta a terceirização, o presidente Michel Temer decidiu assegurar ontem em jantar com empresários em São Paulo que pretende intensificar os encontros com parlamentares para garantir a aprovação da agenda reformista no Congresso.

Ele fez a mesma sinalização aos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, da Secretaria do Governo, Antônio Imbassahy, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, na quarta-feira. Quando a matéria foi aprovada, Temer estava reunido com Moreira, Padilha, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), no Palácio do Jaburu.

“Com o resultado apertado, Temer e os aliados avistaram dificuldades na tramitação das reformas no Congresso. Por isso, o presidente decidiu intensificar os encontros com deputados e senadores para garantir a aprovação das matérias”, afirmaram assessores do Palácio do Planalto ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

A mensagem de Temer aos empresários foi que na votação para aprovar a terceirização não houve mobilização do governo como a que existe em relação à reforma da Previdência.

Antes de participar em Brasília da cerimônia de lançamento do Novo Processo de Exportações do Portal Único do Comércio Exterior, Temer dividiu as preocupações com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que minimizou o sentimento de cautela e falou sobre o assunto no evento. Meirelles tentou descolar o resultado apertado da aprovação da terceirização no Congresso, anteontem, da expectativa sobre a votação da reforma da Previdência nos próximos meses.

“O fato concreto é que a terceirização foi votada e foi discutida em função de seu próprio mérito. A Previdência é um outro projeto, uma outra discussão. Estamos trabalhando arduamente para conseguir que seja aprovado o projeto que é fundamental para o país”, disse.

Em seu discurso, Temer afirmou que não levou seis meses de governo efetivo para que a inflação caísse e a taxa de juros passasse por reduções. Ele também citou medidas para reaquecer a economia e dados positivos do mercado de trabalho.

“Especialmente a área econômica esperava que a recuperação se daria a partir do segundo semestre. Começamos a perceber um otimismo sobre o futuro do país. A previsão é que a inflação fique bem abaixo do centro da meta no fim de 2017.”

Temer reconheceu as dificuldades, mas destacou que o governo está focado em conseguir equilibrar as contas públicas. Ele disse ainda que é preciso dar ritmo à tramitação das reformas da Previdência e trabalhista.

“Reformas e adequações não podem ficar paralisadas. O diálogo, mais uma vez, é a força motriz do nosso governo.”

Após o evento, Meirelles reiterou que a equipe econômica ainda busca receitas para o buraco de R$ 58,2 bilhões do Orçamento. Segundo ele, se houver elevação de impostos, será o menor aumento possível. Ao falar sobre a Operação Carne Fraca, Temer disse que o agronegócio não pode ser desvalorizado por um escândalo que atinge menos de 1% dos frigoríficos do país. O presidente disse que ligará para o presidente da China, Xi Jinping, para tentar persuadir o chinês a deixar de lado a suspensão à exportação de carne brasileira para o país.

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