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Odebrecht comprou tempo de TV de PCdoB, PROS e PRB para Dilma é a manchete do Globo

O empreiteiro Marcelo Odebrecht afirmou, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a expresidente Dilma Rousseff tinha conhecimento do uso de dinheiro de caixa 2 para pagar o marqueteiro João Santana, responsável pela campanha à reeleição em 2014. Por outro lado, o empresário também disse que não conversou diretamente com Dilma sobre esse assunto.

Transcrições que comprometem Dilma e outros petistas — como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os exministros Antonio Palocci, Guido Mantega e Paulo Bernardo — foram divulgados pelo site O Antagonista e tiveram sua veracidade confirmada pelo GLOBO. Nesses textos, há apenas uma menção ao presidente Michel Temer, que foi vice de Dilma até ela sofrer o impeachment, em 2016. Como Dilma não é mais presidente, na prática a ação em curso no TSE pode levar à cassação do mandato de Temer. Mas o empresário negou ter tratado de repasse de dinheiro para campanhas diretamente com o presidente. Segundo ele, a negociação foi com um aliado próximo a Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

A Dilma sabia da dimensão da nossa doação, e sabia que nós éramos quem doá … quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa 2 para João Santana. Isso ela sabia — disse Marcelo Odebrecht no depoimento prestado em 1º de março.

O ministro Herman Benjamin, relator da ação no TSE, questionou, então, se Marcelo alertou Dilma sobre pagamento por caixa 2.

O que Dilma sabia era que a gente fazia, tinha uma contribuição grande. A dimensão da nossa contribuição era grande, ela sabia disso. E ela sabia que a gente era responsável por muitos pagamentos para João Santana. Ela nunca me disse que sabia que era caixa dois, mas é natural, é só fazer uma… Ela sabia que toda aquela dimensão de pagamentos não estava na prestação do partido — respondeu.

Em outro trecho, Marcelo afirmou que também não tratou diretamente com Dilma sobre valores, mas com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega:

Eu comentei isso referente à presidente Dilma, quer dizer, quem pediu os valores específicos era o Guido, eu me assegurava que ela sabia mais ou menos da dimensão do nosso apoio, ela dizia que o Guido ia me procurar, mas eu nunca falei de valor. A liturgia, a questão de educação, você não fala com o presidente ou o vice-presidente a questão do valor.

Em outro trecho, Marcelo disse que Dilma soube do caixa dois pelo “nosso amigo”, que seria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No depoimento, o empresário disse que todos os pedidos de doação na campanha presidencial de 2010, a primeira vencida por Dilma, foram feitos por Lula e Palocci.

Porque 2010 ela (Dilma) praticamente nem olhou as finanças, acho que todos os pedidos de doação foram feitos por Lula, Palocci. Ela nem se envolvia em 2010. Então, a partir de 2011, eu nunca tive um pedido dela de contrapartida específica — disse.

Em 2011, Palocci se tornou ministro da Casa Civil de Dilma, mas ficou no cargo por poucos meses. Com sua saída, diz Marcelo, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, ganhou mais destaque na tarefa de arrecadar.

O Guido, na prática, ele só começou a solicitar a mim recursos para o PT a partir de 2011, quando o Palocci saiu da Casa Civil. Até então, era com o Palocci a maior parte dos pedidos que tinha PT — afirmou. — Ela (Dilma) falou: não, daqui para frente é com Guido. E várias vezes eu tratava de temas com ela, e ela dizia: olha, isso é com Guido.

Antes disso, há um episódio relatado por Marcelo envolvendo Mantega. Ele disse que, em troca da Medida Provisória 470, editada em 2009 e que permitiu refinanciar uma dívida da Braskem, empresa ligada à Odebrecht, a empreiteira se comprometeu a doar R$ 50 milhões. O dinheiro não foi necessário na campanha de 2010.

Como o Guido acabou não se envolvendo na campanha de 2010, pelo menos não conosco, esses R$ 50 milhões acabou (sic) ficando para a campanha de 2014.

Marcelo relatou ainda um pedido de R$ 64 milhões feito antes da eleição de 2010 pelo então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Em troca, a empresa conseguiu a aprovação de uma linha de crédito:

No assunto dos 64, que foi gasto (sic) antes mesmo da eleição de 2010, para aprovar a linha de crédito, o Paulo Bernardo solicitou R$ 64 milhões. Na verdade eram US$ 40 milhões, que depois eu baixei para 36, que, transformando em reais, foram R$ 64 milhões.

Ele afirmou ter alertado Dilma de que os pagamentos feitos a João Santana em contas no exterior, sem registro oficial, poderiam resvalar na Lava-Jato. Segundo o empreiteiro, a presidente não teria dado importância ao alerta.

Eu alertei ela (sic) e vários outros assessores dela — disse o empreiteiro.

SOLICITAÇÃO DE ELISEU PADILHA

Em outro trecho, Marcelo negou que tivesse tratado de repasse de dinheiro para campanhas diretamente com Michel Temer em um jantar no Palácio do Jaburu:

O jantar, na verdade, foi o shaking hands (aperto de mãos). Na verdade, semanas antes do jantar, o Cláudio Melo me ligou e disse que havia uma solicitação de R$ 10 milhões que o Padilha havia feito para apoiar candidatos do Temer, do grupo do Temer, digamos assim. E eu, como sempre fiz com o Cláudio Melo, e todos os empresários do grupo sabem disso, disse: Cláudio, você tem que procurar um empresário do grupo que esteja disposto a fazer este apoio, certo? E ele foi procurar algum empresário do grupo que tivesse disposto a fazer este apoio.

Marcelo também afirmou que recebeu do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pedido de apoio na campanha para o governo de São Paulo no valor de R$ 6 milhões. Marcelo teria sugerido que Skaf angariasse o apoio de Temer, para que o valor entrasse no mesmo pacote.

Em determinado momento, ele (Skaf ) até me colocou numa ligação celular com Michel: “Marcelo, tem alguém aqui querendo falar com você”. Aí eu atendi, era o Michel, e falou: “Marcelo, a importância de apoiar (conversa totalmente institucional), a importância de apoiar o Paulo” . Aí, falei: “Sim, presidente, pá, pá” — contou Marcelo.

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