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Vazamento é usado para atacar, melhor tirar sigilo, diz FHC é o título de matéria na Folha

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) condenou o vazamento de informações sob sigilo judicial que seria, segundo ele, usado para atender interesses.

“Vazamento é uma coisa que está acontecendo com muita frequência e é ruim” disse, “porque é manipulável. Você usa o vazamento para atacar. E se for falso? E se for só uma parte? Quanto mais depressa for possível a Justiça deixar transparente tudo, melhor”, afirmou à Folha nesta quarta-feira (22).

O tucano deu razão ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em suas críticas à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal por supostos vazamentos nas operações Lava Jato e Carne Fraca.

FHC afirmou que, se a Procuradoria de fato informou extraoficialmente nomes contra os quais pedirá a abertura de inquéritos que estão sob sigilo, “é muito grave, é condenável. Não é possível”.

“Então dá publicidade, solta tudo de uma vez. Para as pessoas poderem saber por que são acusadas, para se defenderem. E saber se é verdadeiro, se há mesmo acusação. Às vezes não há”, afirmou.

“Fulano disse que beltrano… Bom, e daí? Tem prova? Tem pelo menos indício? Não tem nada. Então, vazamento é ruim.”

O ex-presidente, no entanto, afirmou que a força-tarefa da Lava Jato não merece repreensão de forma geral.

“O Supremo tem avalizado tudo, não tem saído da lei. As críticas são de quem está com problema”, afirmou.

Gilmar Mendes disse, na terça (21), que dar publicidade a dados sob sigilo é uma “forma de chantagem”, “um eufemismo para crime”.

O ministro citou a coluna de domingo (19) da ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa, na qual ela escreveu que foi a própria Procuradoria que vazou dados sobre os pedidos de inquéritos que deverão ser feitos pelo chefe do órgão, Rodrigo Janot.

O procurador-geral, na quarta-feira (22), respondeu que a acusação é mentirosa. “Beira a irresponsabilidade afirmar que realizamos, na Procuradoria-Geral da República, coletiva em off de imprensa para vazar nomes da Odebrecht”, reagiu.

Sem citar Gilmar Mendes, Janot chamou a repercussão de “disenteria verbal”.

A ombudsman atua de forma independente da Redação da Folha e tem a função de criticar as edições do jornal e representar os leitores.

Para Fernando Henrique, “também não é bom que haja bate-boca público dos chefes de Poder [e instituições]. Não sei se foi essa a intenção desse último debate”.

O momento, afirmou FHC, exige “um apelo ao senso comum. E é difícil. Tudo o que você diz é lido de uma maneira complicada”.

REFORMA POLÍTICA

Em vídeo publicado em rede social, FHC defendeu o fim das coligações em eleições proporcionais e o estabelecimento de um limite mínimo de votos para que um partido tenha representação na Câmara. Ele criticou a proposta da lista fechada.

“Em um país como o Brasil, você tem que deixar que o eleitor participe da decisão. Senão, você fica na mão das oligarquias partidárias”, disse à Folha. Ele afirmou que “não dá para aprovar nada que tenha cheiro de impunidade” ou com o objetivo de constranger a Lava Jato.

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