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Para FHC, ideia de lista fechada ‘cheira a impunidade’, diz o Estadão

Em um vídeo postado nas redes sociais na manhã de ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou a tentativa de os congressistas aprovarem uma reforma política que garanta seus privilégios e os livrem das implicações de eventuais inquéritos no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo FHC, tanto as legendas quanto os políticos estão “mal das pernas”. Para o tucano, o momento não é adequado para se aprovar a tese da lista fechada porque isso pode “cheirar a impunidade”.

Reforma política viável hoje é aprovar o que já está na Câmara, tem leis importantes já aprovadas pelo Senado”, disse o expresidente, citando a que proíbe coligação nas eleições de deputados e de vereadores.

Por esse princípio, conforme FHC, o eleitor vota em um candidato e acaba elegendo outro. “Se dois partidos se coligam, você não sabe em quem está votando, pelo quórum eleitoral. Então, é melhor proibir”, disse.

“Em segundo lugar, é muito importante também que haja uma lei que diga: olha, um partido que não recebeu x votos em tais números de Estados não vai ter representação na Câmara. Não tem vantagens na Câmara, porque não é parti-do, tentou ser partido.” Fernando Henrique avalia que não é o momento de se fazer propostas. “Nossos partidos, hoje, vamos falar com franqueza, vão muito mal das pernas. Os políticos, todos, estamos mal das pernas. Então, não acho que seja o momento de fazermos propostas.”

Neste trecho do vídeo o expresidente faz críticas à reforma política em discussão no parlamento, com foco na lista fechada e na anistia à prática de caixa 2. O presidente de honra do PSDB diz que a direção do partido é quem vai escolher quem serão o primeiro, segundo e terceiro eleitos e o povo vai votar nas siglas.

Mas o povo nem sabe os no-mes dos partidos. Não são partidos, a maioria, são legendas. E mais: não dá para aprovar nada que tenha cheiro de impunidade. Essa é uma lei que tem o objetivo de evitar que a Lava Jato vá adiante, não pode.” Na avaliação de FHC, quem praticou crimes deve ser punido e as leis estão aí para isso.

“Depende do que fez. Fez corrupção, ganhou dinheiro porque tirou dinheiro da Petro-brás ou porque recebeu dinheiro de uma empresa para fazer uma lei a favor desta empresa? É crime de corrupção. E não declarou? É falsidade ideológica.”

Caixa 2. No vídeo de cerca de dois minutos, o presidente de honra do PSDB também fala da prática de caixa 2: “Caixa 2 também é crime, mas é outro tipo de crime, está capitulado no Código Penal. Deixa que a Justiça separeoqueécaixa2,oqueécrime de corrupção. O que pode ser punido com a não eleição e o que vai para a cadeia. Não somos nós, os políticos ou os lideres nacionais, que vão opinar”, disse. “O Brasil neste momento não acredita mais em quase nada.”

No início deste mês, em nota divulgada à imprensa, para defender o correligionário Aécio Neves, o ex-presidente relativizou a utilização do caixa 2 nas campanhas eleitorais, destacando que havia diferença entre os recursos recebidos para financiar campanhas políticas – “um erro que precisa ser reparado ou punido”, e os recebido pelos partidos por fora, para enriquecimento pessoal.

Na defesa do senador mineiro, FHC disse que ele não pediu doação de caixa 2 para aliados e que o próprio Marcelo Odebrecht havia declarado que as doações à campanha presidencial tucana de 2014 foram feitas dentro da legalidade.

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