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Janot reage a Gilmar e critica ‘disenteria verbal’, diz o Estadão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez ontem um duro discurso em defesa da Lava Jato e da Procuradoria-Geral da República, afirmando que o Ministério Público Federal não realiza coletivas de imprensa em off (jargão jornalístico para informações sem identificação da fonte). Janot rebateu as críticas que haviam sido feitas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que acusou a PGR de praticar crimes de vazamento de conteúdos sigilosos de investigações.

Apesar de não ter mencionado o ministro do STF em seu discurso, Janot fez críticas à atuação de Gilmar e se referiu ao discurso dele no dia anterior como “uma disenteria verbal”.

Janot chamou de “mentira” a informação de que a PGR realiza “coletivas de imprensa em off”, que foi divulgada pela ombudsman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino Costa, em texto publicado no domingo. “Aliás, essa matéria jornalística sequer ouviu o outro lado. Nós não fomos chamados a nos pronunciar sobre esta mentira”, disse o procurador-geral durante uma reunião de procuradores eleitorais em Brasília.

Aliás, esta matéria imputa esta prática como sendo uma prática corriqueira nos três poderes da República, e, apesar daimputação expressa de até o STF (fazer tal prática), não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre esta imputação ao Congresso, ao Planalto e até ao Supremo”, afirmou Janot, atribuindo “tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios”.

Por meio de nota, a ombudsman do jornal disse que “reafirma” o conteúdo de sua coluna, cujas informações foram confirmadas com três fontes diferentes. “Em razão da função que exerço, tenho compromisso com a independência e a transparência do processo jornalístico, tendo sido essa minha única e exclusiva motivação.”

Não foi a primeira vez que Janot respondeu a declarações de Gilmar críticas ao Ministério Público. Desta vez, o procurador-geral preparou um discurso, mas, nos momentos mais incisivos, não se ateve ao texto.

Banquetes palacianos’.

“Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder político. E repudiamos a relação promíscua com a imprensa. Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar a todos à sua decrepitude moral, e para isso acusam-nos de condutas que lhes são próprias”, afirmou Janot.

O procurador-geral da República disse também que “sempre houve, na história da humanidade, homens dispostos a sacrificar seus compromissos éticos no altar da vaidade desmedida e da ambição sem freios”. “Esses não hesitam em violar o dever de imparcialidade ou em macular o decoro do cargo que exercem; na sofreguidão por reconhecimento e afago dos poderosos de plantão, perdem o referencial de decência e de retidão”, declarou.

Posse. O chefe do Ministério Público Federal fez elogios aos três anos da Lava Jato. Ele e Gilmar participaram depois da solenidade de posse de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo. Durante o evento, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, definiu como “intolerável” o vazamento de delações premiadas da Odebrecht. “Uma violação total da lei”, afirmou. Questionado sobre a troca de estocadas entre Janot e Gilmar, Aloysio disse estar surpreso. “É muito ruim isso o que está acontecendo”, afirmou.

Aloysio disse ainda que não quer a anulação da delação que envolveria o seu nome, mas exigiu “esclarecimentos” da PGR. “O que eu quero é que investiguem e esclareçam.”

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