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Sobrinho de Eunício é alvo da nova fase da Lava-Jato é o título de matéria no Valor

A Polícia Federal deflagrou ontem em cinco capitais a Operação Satélites, a primeira resultante das delações premiadas de executivos da Odebrecht. Entre os alvos dos pedidos de busca e apreensão – não houve prisões – estão pessoas ligadas ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e outros três senadores: Renan Calheiros (PMDB-AL), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Humberto Costa (PT-PE).

Trata-se da sétima etapa da Lava-Jato referente a pessoas com foro privilegiado. Por esse motivo, a operação, solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), teve que ser autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

No Ceará, um dos alvos foi o empresário Ricardo Lopes Augusto, sobrinho de Eunício Oliveira. Ele foi citado na delação do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho com sendo um “preposto” do presidente do Senado. De acordo com a delação, o sobrinho de Eunício teria participado das tratativas de um repasse de R$ 2,1 milhões ao senador. Augusto é administrador da Confederal, empresa de transportes de valores da qual Eunício é acionista.

Em nota, a assessoria do presidente do Senado informou que em 2014, quando concorreu ao governo do Ceará, ele autorizou que fossem solicitadas doações, “na forma da lei”, à sua campanha. “O pedido de abertura de inquéritos no STF, destinado a apurar versões de delatores, cujos conteúdos desconhece, é o caminho natural do rito processual. O senador tem convicção que a verdade prevalecerá”, diz a nota.

De acordo com a PF, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em 13 endereços nas cidades de Recife (5), Rio de Janeiro (3), Salvador (2), Maceió (2) e Brasília (2). O objetivo da operação é buscar provas de crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

Quatro mandados cumpridos na capital pernambucana tiveram como alvo endereços do empresário Mário Brandão, de sua esposa, Sofia, e sua irmã, Márcia. O empresário é amigo de infância do senador petista Humberto Costa e foi acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa – primeiro delator da Lava-Jato – de ter intermediado a captação de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral de 2010.

Por meio de sua assessoria, o senador disse que a PF já solicitou o arquivamento do inquérito aberto no STF por não ter encontrado irregularidades. “O senador – que tem contribuído com as autoridades em todos os esforços necessários à elucidação dos fatos – está certo de que a ação de hoje vai corroborar a apuração realizada até agora, que aponta para o teor infundado da acusação e da inexistência de qualquer elemento que desabone a sua vida pública”, diz a nota. Mario Brandão e Djalma Rodrigues não foram localizados.

Pessoas ligadas aos senadores pemedebistas Renan Calheiros e Valdir Raupp também foram alvo de mandados de busca e apreensão. Líder do PMDB, Renan não comentou a operação em si, mas criticou a PF e o Ministério Público pela forma como conduziram a Operação Carne Fraca. “O domínio das corporações já não tem limite”, disse o senador. Já Raupp afirmou, por meio de seus advogados, que desconhece o teor da nova fase da Lava-Jato e que está à disposição para esclarecer fatos imputados a ele.

O nome da operação, Satélites, refere-se justamente a pessoas que orbitam em torno de políticos acusados com prerrogativa de foro.

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