Noticias

Planalto muda de estratégia e Senado abre CPI, diz o Valor

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), autorizou ontem a abertura de uma CPI da Previdência, cujo pedido havia sido protocolado horas antes pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Eunício fez o anúncio em plenário e instou os líderes partidários a indicar os integrantes da comissão. Ao todo, 63 dos 81 senadores, segundo Paim.

Em uma mudança de estratégia, o governo decidiu não colocar obstáculos à criação da comissão. O plano, agora, é povoá-la com governistas e ir para o embate com a oposição, minoria no Senado e que afirma que a Previdência não tem déficit, mas superávit.

Em mais um indício desse novo posicionamento, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) usou o Twitter no fim da tarde para anunciar que apoiava a abertura da CPI. “Assinei também a CPI para investigar as contas da Previdência”, tuitou Jucá.

Mais cedo, o líder do governo no Congresso, André Moura, também havia dito que o governo não colocaria obstáculos à abertura da CPI.

“Da parte do governo, não há problema nenhum. A CPI é inclusive uma oportunidade que nós temos de mostrar a grave realidade da Previdência”, disse Moura. “A orientação é exatamente essa: que nós possamos indicar os membros, que nós possamos participar e mostrar que existe um déficit, que a Previdência não é superavitária, pelo contrário.”

A CPI proposta por Paim pretende apurar se há de fato um déficit da Previdência, além de fraudes e investigar “quem são os maiores devedores e quanto devem” ao sistema. O senador se escora em dados fornecidos por auditores previdenciários e técnicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), dando conta de que a Previdência é, na verdade, superavitária.

Para Moura, no entanto, “o Ipea está passando uma informação distorcida, que não é a verdade”. “Temos que ter muita responsabilidade para passar a informação verídica”, disse.

Moura esteve ontem no Palácio do Planalto reunido com Temer e um grupo de parlamentares discutindo, entre outras coisas, a reforma. Um deles, o governista Pedro Chaves (PSC-MS), assinou o requerimento pela abertura da CPI.

“Eu assinei, estou muito tranquilo quanto a isso. É importante fazer uma auditoria em relação a essa dívida [de empresas] com a Previdência”, disse. “O governo não é contra a CPI da Previdência. Com ela, nós vamos apurar muitas coisas. A oposição está falando que existe, na verdade, inadimplentes, as grandes empresas não contribuem. A CPI vai realmente dar informações importantes até para a gente tomar decisões.”

Questionado a respeito do fato de que a comissão deve ser conformada por uma maioria governista, Paim afirmou: “CPI a gente sabe como começa, mas não sabe como termina”.

Deixe uma resposta