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Mais países barram carne brasileira, diz o Estadão

GENEBRA – Hong Kong, Japão, México, Suíça e Jamaica se tornaram os mais recentes países a proibir a importação de carne brasileira após a operação Carne Fraca da Polícia Federal levantar questões sobre a segurança da indústria de carne do país. Na véspera, União Europeia, China e Chile já haviam tomado a decisão. A Coreia do Sul chegou a anunciar a suspensão de compras, mas voltou atrás.

Hong Kong liderou as importações de carnes e derivados brasileiros no ano passado, com compras de US$ 1,849 bilhões. O governo pretende enviar informações ao país e dialogar. O Ministério da Agricultura tem pronta uma espécie de resposta padrão aos países importadores. Ela é adaptada conforme as especificidades de cada mercado. É o que deve ser feito também em relação ao Egito, que informou estudar a suspensão das compras de carne brasileira.

O México suspendeu a partir de 19 de março as importações de produtos pecuários brasileiros, informou a Secretaria de Agricultura mexicana em um comunicado. O país não importa carne bovina ou suína do Brasil, mas compra produtos refrigerados, congelados e desidratados de frango e de peru, ovo fértil e aves domésticas.

No caso do Japão, segundo nota divulgada pela Embaixada, “o governo do Japão suspendeu, até novas notificações, o trâmite das importações de frango e de outros produtos oriundos dos 21 estabelecimentos citados em investigações da Polícia Federal do Brasil”.

Jamaica. O governo do país caribenho apelou para que a população simplesmente não coma carne brasileira e ordenou que supermercados retirem de suas prateleiras os produtos no setor bovino. 

Em determinados setores, o Brasil fornece 99% do mercado jamaicano de carne bovina. O anúncio foi feito pelo ministro de Comércio, Karl Samuda, que organizou uma reunião de emergência e, numa nota pública, explicou as medidas que seu gverno tomaria para garantir a “segurança do consumidor”. Testes químicos ainda vão ser realizados nos produtos no mercado local para avaliar o impacto. 

Todos os produtos considerados como tendo da lista da fraude do Brasil ainda serão retirados dos supermercados. 

Suiça

Berna não revelou o volume de importação. Mas indicou que seguiu o mesmo padrão adotado pela Comissão Europeia. “Como somos parte da Europa, bloqueamos o mesmo número de empresas que a UE”, disse Stefan Kunfermann, porta-voz do Escritório de Veterinária da Suíça. Berna não faz parte da Comissão Europeia, mas já há anos tem como tradição seguir os mesmos padrões adotados por Bruxelas. Das quatro empresas, duas são de aves, uma de carne bovina e outra de cavalo. 

Nesta terça-feira, 21, a Comissão Europeia voltou a confirmar que, das 21 empresas envolvidas na fraude, quatro delas exportavam para o continente europeu e, assim, foram retiradas da lista de exportadores. Nas próximas semanas, o comissário de Assuntos de Saúde da UE, Vytenis Andriukaitis, viajará ao Brasil e o tema estará no centro dos debates.

OMC

A contaminação do caso nas relações bilaterais do Brasil já é uma realidade. A partir de terça-feira, o caso chegará ainda à Organização Mundial do Comércio (OMC) e os negociadores brasileiros já foram solicitados a explicar a dimensão do escândalo e como o comércio internacional seria afetado. O caso não será tratado pelos juízes da entidade. Mas em comitês técnicos.

Desde a eclosão do novo caso, os principais parceiros comerciais se mobilizam para levantar o assunto durante a reunião em Genebra. Diversos governos também indicaram que querem pedir reuniões bilaterais com o Brasil nesta semana para obter esclarecimentos sobre a fraude na carne.  

O Itamaraty, junto com técnicos do Ministério da Agricultura, se prepara para dar uma resposta, trazendo os detalhes da investigação da PF e tentando reverter os embargos.

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