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Até Moro aborda lista fechada, diz O Globo

Juiz pergunta a Miro se mudança eleitoral visa afetar a Lava-Jato

A convocação do deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ) era como testemunha de defesa de Antonio Palocci, mas, uma vez na sala de videoconferências da Justiça Federal, Miro, em ritmo de desabafo, chamou a Operação Lava-Jato de “bênção para o Brasil”, e alertou o juiz Sérgio Moro sobre o que chamou de manipulação nos bastidores do Congresso para, segundo ele, deixar que os investigados continuem “ricos, livres, isentos e anistiados”.

— Há uma tentativa de acabar com a Lava-Jato. Mas acabar apenas para esses que detêm foro especial por prerrogativa de função — disse Miro.

Deputado mais antigo na Câmara, Miro ainda lembrou da era Collor, do início do governo Lula e discutiu os efeitos da proposta de adoção da lista fechada nas eleições legislativas. Ao final da audiência, o próprio juiz mostrou interesse nas críticas de Miro Teixeira à alteração eleitoral.

— Essa questão da lista fechada teria alguma coisa a ver com isso? — perguntou Moro, referindo-se às tentativas de acabar com a LavaJato, denunciadas por Miro.

— A lista fechada é uma forma de criminalizar a política. Juiz, a corrupção existe porque existe corrupto. O roubo existe porque existe ladrão. A democracia não pode ser responsabilizada. Senão, as ditaduras seriam íntegras. Não há eleições, então não há corrupção? Estão roubando para o próprio bolso para construir fortunas enormes botando a culpa no processo eleitoral — respondeu Miro Teixeira.

Ex-colega de Miro na Câmara de 1998 a 2002, o advogado de Palocci, José Roberto Batochio, acabou em uma saia-justa. Em uma das respostas ao advogado, Miro afirmou que Palocci era reverenciado pelo setor econômico durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, de 2003 a 2006.

“VENCIDOS HOSTILMENTE”

Palocci foi denunciado pelo Ministério Público Federal pelo suposto favorecimento à empreiteira Odebrecht.

— Por muitas lutas passadas, tínhamos (eu e Palocci) uma identidade. Mas depois que chegou ao poder, Palocci ficou muito encantado pelos direitos da iniciativa privada — afirmou Miro.

Por outro lado, o deputado disse não saber de nenhuma irregularidade cometida pelo ex-ministro. Miro lembrou de uma reunião, em 2003, em que Palocci teria discordado da estratégia de negociar cargos em troca de apoio parlamentar.

— O Palocci me deu razão: o PSDB pode muitas vezes vir a apoiar as ideias sem cobrar participação no governo. Mas o clima que se instalou ali na hora foi de repulsa a nossas ideias — disse.

Segundo o deputado, os dois deixaram a reunião após serem “vencidos hostilmente”. 

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