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Alckmin rejeita voto em lista fechada, diz o Valor

Em meio às negociações no Congresso Nacional, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), delineou a aliados a reforma política que considera ideal para as eleições de 2018, quando pretende concorrer à Presidência da República. O tucano defende o fim da reeleição e das coligações proporcionais, a instituição da cláusula de barreira e o voto distrital, em que o Estado seria dividido em vários distritos, e cada distrito elegeria um deputado por maioria simples.

O entendimento geral entre parlamentares e partidos de que o voto em lista fechada vai baratear as campanhas e ampliar a fiscalização não convence Alckmin. O tucano manifestou a interlocutores contrariedade com uma mudança neste sentido, na contramão de dirigentes do partido que já reconhecem a possibilidade de votar no Congresso a favor da medida. Nesse sistema, os eleitores votam em uma lista pré-ordenada pelas legendas, e não mais no candidato.

Na avaliação de Alckmin, esse modelo reforça o caciquismo partidário e favorece a reeleição de deputados e senadores preocupados em manter a prerrogativa de foro privilegiado. O tucano entende que o voto distrital também reduz os custos de campanha ao mesmo tempo em que serve para aproximar os candidatos das comunidades em um momento de criminalização da política. Além disso, vê com bons olhos a volta do financiamento privado, desde que com um teto para os gastos.

A posição do governador paulista contra a lista fechada coincide com a dos movimentos que foram às ruas defender o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em linha com os grupos, o tucano também tem se colocado contra qualquer possibilidade de anistia ao caixa dois, apesar de fazer coro com as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em nota recente, disse que era preciso fazer uma distinção entre doação eleitoral não registrada e pagamento de propina.

Alckmin quer marcar posição em relação ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), outro presidenciável tucano que, embora não tenha manifestado apoio às medidas, tem participado de encontros e conversas sobre a reforma política com o presidente Michel Temer e o presidente Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes.

Tanto Alckmin quanto Aécio foram citados em delações de executivos da Odebrecht por suposto recebimento de caixa dois para campanhas eleitorais. Por isso estão na lista de pedidos de inquérito da Procuradoria-Geral da República, conforme fontes. No Palácio dos Bandeirantes, no entanto, existe a percepção de que acusações contra o governador paulista seriam mais brandas, sobretudo em comparação com as denúncias que envolvem o correligionário.

Alckmin comentou as acusações ontem após agenda na capital paulista. “Essas informações não são oficiais. Sempre fizemos as campanhas eleitorais com rigor ético e legalidade”, afirmou o tucano ao ser questionado sobre a inclusão de seu nome na lista da PGR. “São 40 anos de vida pública e de vida pessoal modesta. Isso foi desde a vez em que fui prefeito da minha cidade natal, Pindamonhangaba”, acrescentou o tucano, que descartou o uso de caixa dois. “A lei é para todo mundo. Se tiver qualquer citação, investigue-se”.

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