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Coreia do Sul volta atrás e retoma compra de carne de frango do Brasil, diz a Folha

Depois de anunciar, nesta segunda (21), a suspensão das compras de carne de frango do Brasil, em consequência da Operação Carne Fraca, o governo da Coreia do Sul voltou atrás, na manhã desta terça (21) na Ásia, ao ter a confirmação por parte do Ministério da Agricultura brasileiro de que nunca adquiriu produto estragado do país.

O país asiático, no entanto, decidiu intensificar a fiscalização do produto brasileiro.

Nesta segunda, China, União Europeia e Chile também anunciaram restrições à carne brasileira.

Depois do anúncio das restrições, o Ministério da Agricultura suspendeu a licença de exportação dos 21 frigoríficos que estão sob investigação na Operação Carne Fraca. O governo brasileiro permitirá, no entanto, que as mesmas fábricas continuem a vender o produto no mercado interno.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que iria conversar com representantes dos mercados nesta semana para tentar evitar que o bloqueio atinja fábricas não atingidas pela operação.

Essas 21 unidades estão sob um “regime especial de fiscalização” do governo. “Não posso simplesmente acabar com nosso sistema produtivo por uma suspeição”, disse Maggi. “Nenhum deles está na lista [da PF] por adulteração de produtos.”

O ministro acrescentou: “São problemas de relacionamento de fiscais com donos de frigoríficos. Não dá para dizer que a suspeição é sobre a qualidade de produtos”.

A China decidiu reter em seus portos toda carne do Brasil, independentemente da fábrica de origem. Técnicos do ministério planejavam se reunir por teleconferência com os chineses na noite desta segunda (20). “Esperamos que com essa conversa consigamos minimizar a situação.”

Em relação à UE, Maggi afirmou que a decisão foi de suspender as importações das 21 unidades sob suspeita. Destas, só 4 exportam atualmente para esse mercado.

“Não há retaliação por parte dos europeus, só preocupação.”

CERTEZA

A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, afirmou ter pedido que as autoridades brasileiras suspendam da lista de exportadoras ao bloco as empresas investigadas pela polícia, pedido que foi atendido.

“Queremos certeza de que só carne com controle apropriado chegará ao mercado europeu”, afirmou Enrico Brivio, porta-voz da comissão para assuntos de segurança alimentar.

O governo brasileiro disse que ainda irá conversar com autoridades do Chile, pois não conseguiu entender a decisão do país. O ministro da Agricultura do Chile, Carlos Furche, anunciou a suspensão temporária da importação de “todo tipo de carne brasileira”, bovina, frango e porco.

Maggi fez ameaças ao vizinho sul-americano e disse ter autorização do presidente Michel Temer para retaliar o Chile em relação às compras, por exemplo, de peixes e frutas. O ministro não fez ameaças a nenhum dos outros três importadores que restringiram compra de carne do Brasil. Outro importante mercado para o Brasil, a Rússia, ainda não se manifestou.

O governo dos EUA anunciou que aumentou a fiscalização sobre a carne do Brasil. O produto, que já passava por reinspeção ao chegar ao território americano, passará agora por “exames extras”, segundo o governo.

DESASTRE

Segundo Maggi, o governo corre contra o tempo para evitar perder mercados duramente conquistados. “Não podemos permitir o fechamento de mercados. Para reabrir, serão muitos anos de trabalho”, disse. Para ele, uma suspensão total das vendas brasileiras de carne ao exterior seria “um desastre”.

O ministro lembrou que as exportações de carne somam cerca de US$ 15 bilhões por ano. “Não estamos preocupados só com a balança comercial”, disse. “O setor emprega 6 milhões de pessoas.”
Questionado sobre se as empresas estão realizando embarques de exportações já acertadas para outros países nos últimos dias, o ministro declarou que o momento é de cautela. “Eu não faria embarques nesses dias até se saber o que vai acontecer, principalmente com China.”

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