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Analistas estimam prejuízo de R$ 14 bilhões na Petrobras, diz o Valor

Por André Ramalho e Rodrigo Polito | Do Rio

À espera da divulgação do balanço do quarto trimestre de 2016 da Petrobras, prevista para hoje após o fechamento da bolsa, analistas de bancos que acompanham a petroleira estimam que a companhia volte a apresentar um balanço trimestral positivo. A média das projeções de seis bancos consultados pelo Valor indica que os analistas esperam um lucro líquido de R$ 3,095 bilhões no quarto trimestre, mas insuficiente para compensar as perdas acumuladas no ano e para que a petroleira volte a pagar dividendos aos seus acionistas, referente às demonstrações financeiras do ano anterior. Isso que não ocorre desde 2014.

Para o balanço consolidado do ano, as seis casas de análise (Bradesco, BTG Pactual, Credit Suisse, Itaú BBA, Morgan Stanley e Santander) estimam prejuízo de R$ 14,24 bilhões, ante as perdas de R$ 34,83 bilhões de 2015.

A média das projeções aponta, ainda, para uma queda de 13,8% nas receitas líquidas no quarto trimestre (para R$ 73,33 bilhões), ante igual período de um ano antes, e de 11,2% no acumulado do 2016 (R$ 285,4 bilhões).

No caso do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a previsão é de alta de 31,25% no trimestre (R$ 22,39 bilhões) e de 15,6% no consolidado do ano (R$ 85,4 bilhões).

A expectativa é que a nova política de preços dos combustíveis, lançada em outubro, já demonstre algum efeito sobre as receitas no último trimestre do ano passado. O Itaú BBA estima que, após a implementação da nova prática, os preços médios do diesel tenham caído 5,8% e os da gasolina cedido 2,4% no quarto trimestre, ante o trimestre anterior.

Apesar disso, o banco diz acreditar que o preço médio de realização (preço médio de venda dos combustíveis em reais no Brasil) tenha crescido 3%, como reflexo do aumento de 11% nos preços do barril petróleo no mercado internacional.

O balanço consolidado de 2016 deve ser puxado para baixo pelo “impairment” (redução ao valor recuperável de ativos) de R$ 15,7 bilhões contabilizado pela companhia no terceiro trimestre de 2016 que levou a estatal a registrar prejuízo de R$ 17,33 bilhões no período acumulado de janeiro a setembro. O Credit Suisse, por exemplo, estima que a Petrobras deva fechar 2016 com uma perda acumulado de R$ 12,2 bilhões.

A expectativa, no entanto, é que a petroleira estatal não volte a registrar baixas contábeis de grandes proporções. Em novembro, ao comentar os resultados do terceiro trimestre, o próprio diretor financeiro da empresa, Ivan Monteiro, antecipou que não esperava para os próximos trimestres um “impairment” da mesma “magnitude”.

“A companhia, com as informações que nós temos até hoje [em novembro], não tem nenhuma expectativa de que ocorram imparidades nos montantes que foram divulgados para o terceiro trimestre. Nem para o quarto trimestre, nem nos próximos trimestres”, disse Monteiro a investidores, durante a teleconferência sobre as demonstrações financeiras do terceiro trimestre.

Balanço consolidado do ano deve sofrer impacto do “impairment” de R$ 15,7 bilhões que teve de fazer no 3º trimestre

Apesar da expectativa de lucro, o Credit estima que o balanço do quarto trimestre deve refletir aumento nas despesas com pessoal. O banco diz que o acordo coletivo assinado no início deste ano com os sindicatos dos petroleiros deve pressionar em US$ 230 milhões os resultados do último trimestre do ano.

Por outro lado, o Credit pontua também que alguns efeitos não recorrentes devem influenciar positivamente os resultados no quarto trimestre. A expectativa é que desinvestimentos, como Carcará (BM-S-8) e da refinaria japonesa Nansei Sekiyu, devam contribuir com ganhos de US$ 880 milhões no balanço do último trimestre de 2016.

O banco ressalvou, no entanto, que a Petrobras tem registrado uma série de provisões para contingências, que não foram consideradas na projeção, mas que existem riscos de que a companhia apresente novos passivos contingentes, sobretudo relacionados a questões fiscais e trabalhistas. Segundo as estimativas do Credit, os passivos contingentes da petroleira somavam R$ 185 bilhões ao final do terceiro trimestre do ano passado.

A divulgação do balanço de 2016 se dá em meio a contestações às práticas contábeis da companhia, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A área técnica da CVM determinou, neste mês, que a Petrobras refaça e republique os balanços de 2013 a 2015, desconsiderando os efeitos da contabilidade de hedge cambial adotada pela companhia.

Em teleconferência com jornalistas, para esclarecer a decisão da CVM, no início de março, Monteiro afirmou que a estatal iria recorrer ao colegiado da CVM e que a empresa tem “plena convicção” sobre sua prática de contabilidade de hedge. Ele disse, ainda, que publicaria o balanço do quarto trimestre no próximo dia 21, sem mudança nas práticas que poderiam acarretar na reversão dos últimos prejuízos registrados pela petroleira nos últimos anos e, consequentemente, no pagamento de dividendos a acionistas.

 

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