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Série de notas na coluna do Estadão mostra bastidores de reação a Carne Fraca

Investigadores veem ataque à Carne Fraca

Investigadores da Polícia Federal enxergam na manifestação do governo sobre a Carne Fraca uma tentativa de minimizar a operação deflagrada na última sexta- feira. Ontem, o presidente Michel Temer foi a uma churrascaria para garantir que a carne brasileira é de qualidade. O ministro Blairo Maggi (Agricultura) questionou publicamente o trabalho da PF e o tempo da apuração. Quem atua no caso diz que servidores públicos corruptos eram o foco inicial e somente nos últimos meses descobriu-se que o esquema envolvia a venda de carne podre.

» Momento certo. Um investigador diz que é errado se pensar que há dois anos já se sabia de todo esquema. “Muita coisa surgiu no último momento”.

» Pirotecnia. Interlocutores do governo dizem que não se trata de minimizar a operação. O problema foi a forma como ela foi divulga- da pela PF. Um ministro da área política classificou de “extravagante”.

» Peraí 1. Sobre Blairo Maggi ter criticado a PF pelo fato de o Ministério da Agricultura não ter sido chamado para ajudar na operação, um policial comparou: “Seria o mesmo que convidarmos o Youssef para ajudar na Lava Jato”. Uma vez que há servidores envolvidos.

» Peraí 2. O mesmo policial lembra ao ministro que a investigação começou a partir de denúncia apresentada por um fiscal sanitário, portanto, alguém que entende do que está falando.

» Foco certo. Investigadores que atuam na Carne Fraca dizem que se o governo tivesse se comprometido em acabar com as nomeações políticas na área de fiscalização sanitária atingi- riam o coração do esquema. As investigações apontam pagamento de propina a PP e PMDB.

» Calma, gente. A reunião reservada no Palácio do Planalto ontem para tratar da Carne Fraca começou com um bombardeio ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello. O tom baixou depois de ele avisar que existem muitas interceptações telefônicas que ainda não vieram à tona e chance de delação.

» Ficou de fora. Mesmo sem agenda no Rio Grande do Sul, o ministro Osmar Serraglio (Justiça) não participou da reunião com Michel Temer, em Brasília, ontem, que tratou da Operação Carne Fraca.

» O cara. Coube ao número 2 do ministério, José Le- vi, acompanhar a reunião ao lado de Michel Temer.

» Amigo. Serraglio aparece em interceptação telefônica chamando o líder do esquema da Carne Fraca, Daniel Gonçalves, de “grande chefe”. O ministro nega que tenha indicado Gonçalves.

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