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Ato sobre transposição vira comício de Lula, diz o Estadão

A cidade de Monteiro, no ser- tão da Paraíba, foi palco ontem do segundo ato político desde a chegada das águas do Rio São Francisco ao município. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, respectivamente idealizador e executora de parte das obras de transposição, visitaram a cidade para realizar o que foi batizado pe- lo PT como uma “inauguração popular”. O ato se transformou em um comício pela candidatura de Lula em 2018.

A obra do eixo leste (situado em Monteiro e o primeiro a ser concluído) foi oficialmente inaugurada pelo presidente Michel Temer no dia 10 deste mês, gerando reação entre petistas e aliados. Dilma, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), e o próprio Lula fizeram referências à próxima eleição presidencial em seus discursos.

Milhares de militantes de vá- rios Estados do Nordeste participaram do ato, que deixou interditado, desde o fim da ma- nhã, os dois sentidos da BR-412 no acesso ao município.

A data escolhida para a cerimônia, 19 de março, carrega forte simbolismo para a religiosidade dos sertanejos, quando come- mora-se o dia de São José – santo padroeiro de vários municípios da região e a quem os católicos recorrem para pedir chuvas.

A comitiva capitaneada pelo PT chegou a Monteiro por volta das 14h. Depois de uma breve passagem pelo canal, a comitiva seguiu em carreta para o palanque armado no centro da cidade – a agenda divulgada dias antes pelo PT previa que Dilma e Lula entrariam nas águas do São Francisco, ação que foi cancela- da no sábado. “Fiquei pensando que eles (seus opositores) fariam imagem negativa”, justificou no discurso o ex-presidente ao falar sobre a desistência.

A caravana de políticos e autoridades contou com 15 senadores, dezenas de deputados, os presidentes do PT e do PCdoB, entre outros. Na praça, em uma cena típica de campanha eleitoral, camelôs vendiam camisetas com a inscrição “Lula 2018”. Além do coro de apoio ao petista, os presentes gritaram “Fora, Temer”.

Tapetão’. Dilma, a primeira a falar, classificou como “um segundo golpe” a possibilidade de Lula ser impedido de disputar a eleição. Ele é réu em cinco processos referentes à Lava Jato e seus desdobramentos e, se for condenado em primeira e segunda instâncias, pode ser en- quadrado na Lei da Ficha Limpa. “No tapetão, não.”

Em seu discurso, o próprio ex- presidente se referiu à possibilidade de ser candidato em 2018. “Vocês sabem o que eles (adversários) estão tentando fazer com a esquerda neste País, fizeram com a Dilma e querem fazer comigo. Se eles quiserem brigar comigo, que venham brigar nas ruas”, disse Lula. “Se eu for é para ganhar e trazer de volta a alegria deste País. Eu sei colocar o povo para sonhar com emprego e salário.”

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