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UE pede que Brasil explique fraude da carne, diz o Estadão

Bloco europeu quer explicações para continuar importando produto; diplomatas vão se reunir

As autoridades da Europa, Estados Unidos e China querem explicações por parte do Brasil em relação às revelações sobre a corrupção nos certificados de carne no País.

O bloco europeu, que importa o produto nacional, pediu esclarecimentos sobre o que as investigações apontaram e se as vendas ao exterior também tem sido alvo de propinas por parte de empresas.

Uma reunião entre o Mercosul e a UE está marcada para ocorrer no final deste mês em Buenos Aires, com o debate sobre as ofertas de liberalização entre as duas partes e, em especial, a situação sanitária do comércio. Mas fontes brasileiras confirmaram ao Estado que, antes disso, uma reunião de emergência deve ocorrer entre as partes nesta semana.

Do lado brasileiro, o objetivo é o de garantir que as revelações não fechem as portas da Europa para o produto nacional.

Aikaterini Apostola, portavoz de Saúde e Segurança Alimentar na Comissão Europeia, disse ao Estado que Bruxelas está acompanhando as investigações no Brasil. “Estamos de fato em contato e pedindo esclarecimentos da parte das autoridades brasileiras”, disse.

De acordo com a Comissão Europeia, seu sistema de identificação de eventuais problemas nos alimentos importados não registrou qualquer alteração na carne nacional por dois anos. “Até o momento, não registramos nenhuma irregularidade com certificados de saúde relacionados com a carne do Brasil desde 2015”, disse a porta-voz, indicando que deverá ter novas informações sobre os contatos bilaterais nos próximos dias.

Pressão. Desde sexta-feira, a Comissão passou a ser pressionada pela Confederação Europeia de Produtores Agrícolas, que pretende usar o caso das propinas no Brasil para tentar impedir um acordo com o Mercosul e mesmo um aumento de exportações nacionais. Para a entidade, o Brasil não tem o mesmo padrão de segurança alimentar que a Europa e um acordo entre europeus e o Mercosul não pode prever uma maior abertura comercial enquanto as condições não sejam iguais.

Essa diferença de qualidade ficou clara pelo caso no Brasil, no qual mais de 30 representantes de alto escalão do setor agroalimentar foram presos por não atender às exigências veterinárias no setor de carnes”, disse o secretário-geral das cooperativas agrícolas da Europa, Pekka Pesonen.

No ano passado, os dois blocos comerciais apresentaram uma lista do que poderiam abrir em termos aduaneiros. Mercosul liberaria o setor industrial e a Europa reduziria tarifas para as exportações agrícolas dos países sul-americanos.

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