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Dificuldade em persistir em tarefas e fazer contas limita salário no Brasil é a manchete do caderno de economia na Folha

Os brasileiros e os vizinhos latino-americanos sofrem de profunda escassez de habilidades valorizadas no mercado de trabalho, como a capacidade de fazer contas e de persistir em tarefas.

É o que mostra estudo do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) que mensurou o grau de desenvolvimento das características que contribuem para o sucesso individual e o crescimento econômico entre os trabalhadores da região.

A pesquisa, feita em dez cidades, incluindo São Paulo, revela que, mesmo entre aqueles com ensino superior, a capacidade de fazer contas simples -que tem grande efeito sobre salários- é limitada.

Só 40% dos paulistanos com curso superior conseguem calcular quanto um artigo que custa 2/3 de seu preço original valia inicialmente. Na média da região, o nível de acerto foi de 53% entre indivíduos com ensino superior.

“Esses resultados mostram que o problema de acumulação de habilidades é generalizado, embora seja mais sério para indivíduos com menor nível socioeconômico”, diz a economista Dolores de la Mata, uma das coordenadores do estudo do CAF.

A pesquisa -que será apresentada nesta segunda (20) no Insper- busca avaliar três conjuntos de habilidades. Um deles -no qual a capacidade de fazer contas está incluída- abrange as habilidades cognitivas, associadas ao conceito de inteligência.

O outro cobre as chamadas competências socioemocionais, que são características pessoais como perseverança, empatia e a capacidade de se recuperar de problemas.

Um terceiro grupo inclui o desenvolvimento físico, que está muito ligado à saúde.

Pesquisas realizadas para países desenvolvidos têm medido o impacto dessas habilidades na vida das pessoas.

O estudo do CAF tenta mensurar esses efeitos para a América Latina como um todo. Análises já feitas na região normalmente se restringiam a casos individuais de países. Os resultados mostram que algumas habilidades têm grande impacto na renda dos latino-americanos.

Profissionais com habilidades numéricas um “degrau” (ou desvio padrão) acima da média têm salários 8,4% maiores. O cálculo desconta os efeitos de outros fatores como gênero, escolaridade e nível socioeconômico.

Em segundo na lista das habilidades com impacto sobre a renda vem a tolerância ao risco (7,5% a mais para cada “degrau” acima da média) e, depois, as habilidades físicas (5,9%). Em quarto, a persistência (5,4%), característica também escassa entre brasileiros e latino-americanos.

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