Noticias

Segundo delegado, propinas abasteciam o PMDB e o PP é o título de matéria no Globo

Valores e nomes de políticos ligados ao esquema não foram revelados


Parte do dinheiro de propinas arrecadado pelo esquema de corrupção envolvendo fiscais e frigoríficos, desvendado pela Operação Carne Fraca, abastecia o PMDB e o PP, disse o delegado federal Maurício Moscardi Grillo durante coletiva de imprensa em Curitiba. Ele não revelou, no entanto, valores ou os nomes dos políticos supostamente beneficiados pelo esquema.

— Dentro da investigação, ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era revertida para partido político. Caracteristicamente, já foi falado, ao longo da investigação, de dois partidos: o PP e o PMDB — observa Grillo.

Os dois partidos dizem desconhecer o teor das investigações. “O PP informa que desconhece o teor das denúncias. O partido apoia minuciosa investigação e o rápido esclarecimento dos fatos”, afirma em nota.

ASSESSORES DE PARLAMENTARES

Já o PMDB disse que “desconhece o teor da investigação, mas não autoriza ninguém a falar em nome do partido”.

Nas interceptações telefônicas mencionadas na decisão do juiz que autorizou a operação são citados nomes de assessores de parlamentares como o do deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR), o do deputado João Arruda (PMDB-PR) e o do deputado estadual Stephanes Junior (PMDB-PR). Esses assessores aparecem em conversas com algum dos fiscais investigados.

O deputado federal João Arruda declarou que acredita na inocência do seu assessor, Heuler Martins, levado coercitivamente para depor. Conversa entre Martins e o superintendente regional do Ministério da Agricultura, Gil Bueno, foi interceptada.

— Pelo que vi do depoimento dele (Martins), ele tratava de assuntos dos municípios, e inclusive com empresas, sobre questões do agronegócio, forte no Paraná. Não vejo o porquê de ele estar envolvido em uma megaoperação como essa. Foi uma coincidência que algumas pessoas envolvidas entraram em contato com ele (Martins) — diz Arruda.

Já Ronaldo Troncha, ex-chefe de gabinete do deputado federal Sérgio Souza, teria recebido um depósito no valor de R$ 5 mil em 13 de agosto de 2009 e outro de igual valor em 13 de junho de 2011 para atuar “em defesa de interesses próprios e de empresas”. Troncha foi alvo de um mandado de condução coercitiva da PF.

— Nessa época, ele não trabalhava comigo — conta Souza.

O deputado Stephanes Junior disse que o assessor mencionado não trabalha com ele há dois anos.

As propinas pagas aos fiscais agropecuários e agentes de inspeção do Ministério da Agricultura eram conhecidas pelos participantes do esquema como “ajudas de custo”, que eram pagas regularmente e chegavam a R$ 50 mil por mês, segundo as investigações da Polícia Federal.

MINISTRO APARECE EM GRAMPO

Ministro da Justiça há cerca de um mês, Osmar Serraglio aparece em grampo utilizado nas investigações que originaram a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, subordinada à pasta. A gravação é de um diálogo entre Serreglio, então deputado federal pelo PMDB do Paraná, e o ex-superintendente federal de Agricultura do Paraná, Daniel Gonçalves Filho, descrito pela PF como “líder da organização criminosa”.

Na conversa telefônica, Serraglio, que chama Gonçalves de “grande chefe”, pede informações ao servidor sobre a fiscalização no frigorífico Larissa, em Iporã, interior do estado, após ter sido procurado por “Paulo”. Para a PF, trata-se de Paulo Rogério Sposito, dono do frigorífico Larissa.

Logo após encerrar a ligação, Gonçalves liga para Maria do Rocio, fiscal na região implicada na Operação Carne Fraca, contando que o fiscal de Iporã quer fechar o frigorífico Larissa. A fiscal diz que não há nada errado, e Gonçalves repassa a informação a Serraglio.

Segundo a procuradoria-geral da República, não há autoridade com foro nessa apuração. A PGR informou ainda que Serraglio não é investigado no caso.

Em nota, o ministro afirmou que a citação ao seu nome na operação seria uma prova de que ele não interfere nas investigações.

Conteudo originalmente postado no Portal :

Deixe uma resposta