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Ações da JBS caem 11% após operação Carne Fraca; BRF recua 7,5%, diz o Estadão

As ações das duas gigantes dos alimentos – JBS, dona da Friboi, e BRF, união da Sadia e Perdigão – desabaram após a deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que investiga indícios de corrupção de agentes públicos federais e crimes contra a saúde pública. Os papéis da JBS recuaram 10,59% e os da BRF, 7,25%.

As denúncias apresentadas pela Polícia Federal mostram que diversos frigoríficos em todo o País pagavam fiscais do Ministério da Agricultura para ter facilidades nas liberações de produtos “maquiados”. Alguns frigoríficos de menor porte foram até acusados de vender carne podre. 

Das duas grandes empresas envolvidas, a JBS é mencionada pelo envolvimento de um funcionário em esquemas de pagamento de fiscais na empresa Seara. Já a BRF é mais citada no documento que embasou a decisão judicial da Operação, com a citação de executivos do alto escalão como o vice-presidente de integridade da companhia, José Roberto Rodrigues.

O risco de imagem das companhias e o efeito financeiro sobre elas foram os principais motivos que levaram os investidores a vender as ações das empresas. As notícias também podem comprometer as ofertas de ações que são planejadas pelas duas empresas. 

Para a BRF, as investigações chegam em meio a um cenário adverso. A companhia divulgou no dia 24 de fevereiro que fechou 2016 com prejuízo de R$ 372 milhões, o primeiro desde a fusão entre Sadia e Perdigão, formada em 2009. 

Dois importantes executivos – José Alexandre Borges, vice-presidente de finanças, e Rodrigo Vieira, vice-presidente de marketing – deixaram a empresa em 9 de março. Desde 2013 a companhia iniciou um plano agressivo de internacionalização, quando Abílio Diniz assumiu a presidência do conselho. Agora, o empresário lidera desde fevereiro um comitê para discutir planos de reestruturação para BRF, a ser apresentado nos próximos 90 dias. 

A Operação da PF poderá afetar outro plano da companhia: o lançamento de ações da One Foods, empresa criada no início do ano para atuar no mercado muçulmano. A ideia era fazer uma captação de US$ 1,5 bilhão, seja por meio de oferta pública de ações (IPO, em inglês), ou investimento privado. O problema é que a imprensa internacional destacou fortemente a operação da PF, o que pode afastar investidores até que haja maiores esclarecimentos sobre as investigações. 

A questão também é delicada para o JBS, que planeja um IPO internacional para a JBS Foods, que engloba a Seara. Assim como a BRF, a JBS está envolta em um cenário negativo. Seus controladores, os irmãos Joesley e Wesley Batista, tiveram seus nomes mencionados em diversas operações policiais nos últimos meses em denúncias de corrupção que envolvem outras empresas do grupo, como a Eldorado Celulose. 

Reputação. 

Financeiramente, a JBS apresentou melhores resultados que a BRF. Mesmo assim, o lucro teve uma queda de quase 85% no ano passado. “As duas empresas, que fizeram um trabalho de construção de marca nos últimos anos para não atuar como meras exportadoras de commodities, podem ser afetadas por essa investigação. O estrago também pode se estender para seus clientes de fast-food, que compram carnes das duas empresas”, disse uma fonte de mercado que não quis se identificar. O País também pode ser afetado. “Muitos países protecionistas, como Europa e Estados Unidos, tendem a fechar seus mercados”, afirmou uma outra fonte. 

Não sabemos qual será a reação dos importadores, mas não será surpresa se a carne for rejeitada por outros países”, disse o professor de economia agrícola da FGV, Felippe Serigati. Ele destaca que trabalho que o Itamaraty e o Ministério da Agricultura vinham fazendo há anos para abrir mercados internacionais para a carne brasileira pode ser perdido.

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