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Tucanos avaliam como remota chance de prévias, diz o Valor

Apesar do discurso oficial em favor das prévias, tucanos paulistas ligados ao governador Geraldo Alckmin e aliados do senador Aécio Neves (PSDB-MG) reconhecem nos bastidores que a possibilidade de o PSDB realizar um processo interno para definir o candidato do partido à Presidência em 2018 é “remota” ou “quase nula”.

A descrença em relação a uma disputa interna ocorre em meio às incertezas sobre os desdobramentos da Lava-Jato, que devem atingir Aécio e Alckmin, os dois principais presidenciáveis tucanos, e às especulações no PSDB de que o prefeito de São Paulo, João Doria, poderia ser lançado como um candidato de consenso e com maior viabilidade eleitoral.

A avaliação de alguns dirigentes é que não há condições de promover uma prévia ainda em 2017, como quer Alckmin, diante da necessidade de mobilizar o tucanato para aprovar as reformas estruturantes do governo Michel Temer e ao mesmo tempo defender os quadros da sigla arrolados nos pedidos de inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Uma eleição interna neste ano poderia expor ainda mais Aécio e Alckmin, que estão na mira da Lava-Jato, conforme um tucano com trânsito entre os dois grupos. A prévia para eleição paulistana, em 2016, foi marcada pela troca de farpas entre os postulantes. Fazer a disputa em 2018, por outro lado, colocaria o partido em desvantagem em relação aos concorrentes que já têm candidatos definidos e estão em viagens pelo país.

Embora compartilhadas por tucanos paulistas, as alegações atendem aos interesses de Aécio, que prefere postergar ao máximo a decisão, na contramão de Alckmin, que tem pressa na escolha, inclusive, para mudar de legenda caso a indicação lhe seja negada.

Além disso, interlocutores do senador dizem que Aécio só permitirá e participará de uma eleição interna se tiver garantia de vitória sobre o correligionário paulista e se começar a decolar nas pesquisas de intenção de voto.

A prévia é a principal aposta de Alckmin para fazer frente ao controle que Aécio exerce hoje sobre o PSDB como presidente nacional do partido. Levantamento realizado por um dirigente tucano, porém, estima que o senador mineiro tenha o apoio hoje de pelo menos 19 diretórios estaduais, sendo que outros quatro seriam classificados como independentes.

O controle partidária, no entanto, não é garantia de vitória para Aécio em uma eventual prévia. Até porque não há uma decisão sobre o colégio eleitoral. Além disso, o dirigente afirma que muitos diretórios podem votar no candidato que, segundo as pesquisas, apresentar mais chance de sucesso na corrida presidencial.

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