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“Governo está perdendo a guerra da comunicação”, diz relator é o título de matéria no Valor

Um dia após as manifestações contra a reforma da Previdência, que levaram milhares às ruas, o relator da proposta na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), verbalizou uma crítica constante nos corredores do Legislativo e afirmou o governo está perdendo a “guerra da comunicação” que ocorre nas mídias sociais.

“O governo precisa cuidar melhor da comunicação. Inverdades repetidas de maneira massiva se transformam em verdade. É o que está acontecendo nas redes sociais”, alertou Maia. “A trincheira da comunicação é nas redes sociais. Essa batalha precisa ser travada. O governo não pode se restringir a rádio e televisão.”

A reclamação reverbera crítica recorrente entre os deputados: a comunicação do governo está falha, muito focada na TV e rádio e não surte efeito esperado. As propagandas são incapazes, protestam os parlamentares, de construir uma narrativa para a reforma, que mostre os pontos positivos e leve a população a apoiar as mudanças. Esses deputados dizem que, se não melhorar rapidamente, a Câmara não terá condições de sustentar o projeto e são pequenas as chances de a proposta não sair desfigurada.

O protesto mais ouvido é que a reforma acabará com os privilégios de juízes, promotores, servidores públicos e políticos, mas que isso não é explorado.

“Esse discurso do medo, de que não haverá dinheiro para pagar o Bolsa Família se não tiver mudanças na aposentadoria, não tem o menor efeito em tempos da Lava-Jato e com a classe política acusada de saquear os cofres públicos”, diz um parlamentar.

Um deputado reclamava ontem que os vídeos do governo são protocolares, mostrando uma gravação do secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano, explicando tecnicamente a proposta. “Enquanto isso, esses movimentos contrários à reforma contam até com atores famosos narrando os vídeos deles, como o Wagner Moura”, ponderou.

Líderes levaram a reclamação diretamente ao presidente Michel Temer nos últimos dias e defenderam um pronunciamento na TV para explicar o projeto.

Para o relator, o governo precisa atuar mais nas redes sociais. Segundo Arthur Maia, nas reformas promovidas pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não havia o debate nesse campo e, com as novidades tecnológicas, é preciso aprimorar a estratégia de comunicação se quiser garantir as mudanças.

Uma das “mentiras” que, segundo o relator, está sendo propagada nas redes é que a pessoa terá que contribuir por 49 anos para receber a aposentadoria. “Isso não é verdade”, rebateu. Ele explicou que a proposta do governo prevê que o trabalhador pode solicitar a aposentadoria quando complementar 65 anos e 25 anos de contribuição. Mas, se o trabalhador contribuir por mais tempo, poderá elevar seu benefício.

A crítica da oposição é que para que o trabalhador tenha um benefício “integral” teria que entrar no trabalho aos 16 anos e contribuir até os 65 anos, ou seja, 49 anos. Se esse trabalhador chegar aos 65 anos com 25 anos de contribuição, receberá como aposentadoria 76% da média de seus salários.

O governo tem baseado sua publicidade em pesquisa que circulou entre parlamentares na última semana e aponta que, embora a maioria dos embates em torno do projeto ocorra nas redes sociais, os meios que mais formam a opinião sobre o assunto são a TV, rádios e jornais.

O presidente Michel Temer não se manifestou publicamente sobre as manifestações contra a reforma realizadas na quarta-feira, mas, a interlocutores, disse não encarar com preocupação os protestos e ter ficado com a percepção de que foram marcados “por uma politização excessiva e refletiram o engajamento das centrais sindicais e de movimentos supostamente sociais apoiados pelo PT”. Para ele, os protestos são válidos desde que não ocorram episódios de violência, em crítica à invasão do Ministério da Fazenda por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

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