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Fusão entre Kroton e Estácio enfrenta nova turbulência é a manchete do Valor

O acordo de fusão entre dois grandes grupos de ensino, Kroton e Estácio, assinado em agosto do ano passado para criar uma empresa avaliada em quase R$ 28 bilhões, enfrenta turbulências em sua rota de conclusão. Além do desafio de convencer o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a aprovar a operação, a Estácio teve que abrir investigações para apurar denúncia de que seu presidente, Pedro Thompson, estaria participando de articulação para impedir a união dos dois grupos.

O Valor apurou que Thompson foi afastado do grupo de trabalho que negocia com o Cade. A razão foi o vazamento de uma troca de e-mails entre o executivo e o escritório de advocacia Demarest, na qual ele dá a entender que uma das possibilidades para bloquear a fusão seria apresentar ao Cade denúncia de que estaria havendo “gun jumping” – quando há interferência na gestão das empresas antes da aprovação do Cade. Denegrir a imagem da Kroton com episódios envolvendo o Fies também faria parte da estratégia.

Não é a primeira vez que o conselho da Estácio enfrenta uma situação de boicote de seus executivos à operação. O ex-presidente da companhia Rogério Melzi renunciou ao cargo, entre outras razões, por ser contrário à transação.

Em fevereiro, a Superintendência-Geral do Cade divulgou um duro relatório contrário à fusão. A Kroton tem grande interesse na operação. São muitas as sinergias a serem aproveitadas. A Estácio, segunda maior empresa do setor de ensino superior no país, passou por reestruturação liderada pelo próprio Thompson e apresenta bons resultados. No quarto trimestre, o lucro líquido atribuído aos acionistas mais que dobrou.

Além de fundos de investimentos, Chaim Zaher, segundo maior acionista da Estácio, tem interesse em ficar com a empresa se a fusão não for aprovada. Mas sua prioridade ainda é a aprovação da fusão porque ele quer recursos para seu negócio de educação básica.

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