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Candidatura de Dória é discurso corrente no PSDB, diz nota no Painel da Folha

Resta um Com as menções a Geraldo Alckmin e Aécio Neves na Lava Jato, a defesa da candidatura de João Doria à Presidência em 2018 se tornou discurso corrente dentro do PSDB. Dirigentes da sigla dizem que não se trata mais de afinidade, mas de escolher entre a chance de vitória e a certeza de uma derrota.

Fachin recebe depoimentos segunda ou terça, diz nota no Painel da Folha

Camomila Em Brasília, quem acompanha a Lava Jato calcula que os depoimentos da Odebrecht chegarão ao gabinete do relator do caso no STF, Edson Fachin, entre segunda (20) e terça-feira (21). Hoje, as peças ainda estão sendo protocoladas no Supremo. Pelo estilo, Fachin deve despachar rapidamente os pedidos de inquérito

Futuro de Pimentel está no STF, diz série de notas no Painel da Folha

» Intocáveis. 

No STF há várias ações questionando a exigência de autorização prévia das assembleias para processar governadores por crime comum. Motivo: nos últimos 15 anos, apenas a Assembleia de RO autorizou o STJ a processar o então governador Ivo Cassol.

» Tá parado. 

O futuro do governador de Minas, Fernando Pimentel, acusado de corrupção na Operação Acrônimo, depende de uma dessas ações. O processo está parado no STJ.

Dallagnol: ‘Deve-se arrancar a árvore da corrupção, sob risco de termos um Brasil mais corrupto’, diz série de notas no Painel da Folha

Batalha campal A Lava Jato faz três anos nesta sexta (17) sob nova onda de pressão exercida pelo Congresso. Não dá, porém, sinal de recuo. O procurador Deltan Dallagnol diz que a operação faz aniversário “no auge” e que “os resultados que a sociedade mais espera virão do trabalho do STF”. Ele afirma que a ida das pessoas às ruas resultou em uma “combinação poderosa” e convoca: “Precisamos arrancar a árvore da corrupção, sob risco de termos um Brasil mais corrupto após a Lava Jato”.

Em branco e preto 

Dallagnol diz ainda que, talvez, o maior mérito da Lava Jato foi “ter feito o retrato de uma corrupção que tem raízes profundas e tentáculos que abraçam uma multidão de órgãos públicos”. “Não só a quantidade, mas o poder dos acusados levados a julgamento impressiona.”

É com eles 

O procurador defende que prisões “paralisam os crimes, mas não diminuem os estímulos à corrupção” e pede reformas. “Se não alterarmos os sistemas de Justiça e político, a Lava Jato será, no futuro, a memória de um tempo de esperança, em que acreditávamos que tudo poderia ser diferente.”

Leia a íntegra da mensagem de Deltan Dallagnol à coluna:

A Lava Jato chega aos três anos no auge – até agora, pelo menos – de sua história. A investigação foi consistente e englobou 746 buscas e apreensões, 183 pedidos de cooperação internacional, 155 acordos de colaboração com investigados e 10 acordos com empresas.

As provas coletadas conduziram a 56 acusações criminais em primeira instância, contra 260 pessoas. Já há 26 sentenças condenando 130 pessoas a penas que, somadas, ultrapassam 1,3 mil anos.

Não é só a quantidade, mas o poder dos acusados levados a julgamento que impressiona. O valor que os réus já se comprometeram a devolver soma mais de 10 bilhões de reais, quando a regra na justiça penal brasileira é não recuperar nenhum real. E há muito mais por vir.

Os resultados que a sociedade mais espera ainda virão a partir do trabalho do Supremo Tribunal Federal, em relação a pessoas que têm foro privilegiado. A colaboração da Odebrecht lançará uma série de sementes de investigações, em muitos lugares do Brasil e do exterior, que poderão germinar e se tornar grandes operações.

Não sabemos ainda se a Lava Jato e todos os seus resultados inéditos, olhados do futuro, em perspectiva, serão um pequeno desvio no caminho do país, e ele retornará à estrada original, ou se ela nos colocará sobre novos trilhos, rumo a um país menos corrupto. Isso porque ela faz diagnóstico, e não tratamento.

Seu maior mérito talvez seja ter feito um retrato de uma corrupção que tem raízes profundas em nossa história e tentáculos que abraçam uma multidão de órgãos públicos. A investigação só logrou expor as vísceras do ambiente político-econômico, mas também romper episodicamente a impunidade dos círculos do poder. A gravidade da doença nos faz desejar ardentemente o tratamento.

Não queremos que a justiça seja igual para todos, incluindo poderosos, apenas na Lava Jato. Não basta colocar na cadeia os corruptos da Lava Jato, mas também os outros 97% daqueles desviam dinheiro público e saem impunes.

As prisões são importantes para paralisar os crimes, mas elas não diminuem os estímulos à corrupção que existem no sistema político. Se não alterarmos os sistemas da Justiça e o político, a Lava Jato será, no futuro, uma feliz memória de um tempo de esperança, em que acreditávamos que tudo poderia ser diferente.

Isso traz à tona o papel essencial da sociedade. O maior erro da Itália, acredito, tenha sido depositar excessivamente a expectativa de uma solução nos ombros do Judiciário, quando apenas reformas mais profundas poderão nos trazer um país mais limpo.

A Lava Jato mantém aberta uma espécie de portal de reformas, mas cabe à sociedade atravessar. Vivíamos no círculo vicioso em que mudanças jamais aconteceriam. Há um momento de ruptura, hoje, visível em três aspectos. O diagnóstico conscientizou as pessoas do mal que a corrupção causa e trouxe o tema para a mesa de debates na sociedade e no parlamento.

A Lava Jato nos dá o gostinho do país que podemos ter, onde impera a lei para além do reino do papel. A população ganhou músculos ao ir para a rua várias vezes, buscando o fim da corrupção. Assim, a consciência do problema se somou ao sonho de reformas e à força da sociedade. É uma combinação poderosa.

Se as pessoas não se insensibilizarem, se não desistirem, chegaremos lá. E isso é vital. Desbastar galhos de uma árvore pode fazer com que brotem em maior quantidade e com renovado vigor. Precisamos arrancar essa árvore da corrupção, sob risco de termos um Brasil mais corrupto após a Lava Jato.

Deltan Dallagnol, procurador da República e coordenador da força-tarefa Lava Jato na Procuradoria da República no Paraná

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