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Ausência de Infraero em leilão atraiu grupos estrangeiros, diz a Folha

A decisão do governo de deixar de fora a Infraero nesta rodada de concessão dos aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e Fortaleza foi um atrativo para a chegada dos três grupos europeus que arremataram todos os projetos nesta quinta-feira (16), sem a presença de sócios brasileiros.

A suíça Zurich, que levou o projeto de Florianópolis (com uma oferta de R$ 83 milhões, R$ 30 milhões acima da proposta inicial mínima após uma escalada de lances) é uma das que acumulam aborrecimentos após se associar à estatal na concessão do aeroporto de Belo Horizonte há pouco mais de três anos.

Confins foi concedido no leilão do fim de 2013 com participação da Infraero de 49%. Os acionistas privados, Grupo CCR e Aeroporto de Zurich, têm 51%.

A Infraero defende atualmente um plano de expandir as operações de seu aeroporto de Pampulha, também em Belo Horizonte, em uma iniciativa que elevaria a concorrência da própria concessionária da qual faz parte, desagradando os sócios privados.

“Sem atribuir a um único fator, a decisão de investir leva em conta desde o perfil do aeroporto, à experiencia que a empresa já acumulou no país, passando pelo fato de não precisar ter a Infraero como acionista”, afirma Eduardo Carvalhaes, sócio do escritório BMA –Barbosa, Müssnich, Aragão, que assessorou a Zurich.

A alemã Fraport, que já é sócia da Infraero em uma subsidiária da estatal brasileira, levou os aeroportos de Fortaleza (com uma oferta de R$ 425 milhões) e de Porto Alegre (R$ 290,5 milhões).

Para Fernando Villela, sócio do Siqueira Castro Advogados, que assessorou a Fraport, o governo “acertou” ao remodelar o leilão.

“Se você quer passar para a iniciativa privada o serviço público é porque você quer ter o dinamismo privado. Mas, quando coloca um estatal, você engessa a empresa”, diz o advogado.

Bruno Werneck, sócio do escritório Mattos Filho, que assessorou a francesa Vinci (vencedora do leilão de Salvador), os ágios que vieram acima do esperado mostram que “há uma visão positiva das três empresas estrangeiras sobre o futuro do país”.

A oferta mínima exigida pelo leilão do aeroporto de Salvador era de R$ 310 milhões, muito inferior aos R$ 660 milhões oferecidos pela Vinci, que não teve concorrente na Bahia.

A francesa foi a única que entrou no leilão em consórcio, formado por duas empresas do grupo Vinci. 

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