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Temer avalia ir à TV para defender reforma, diz o Estadão

O presidente Michel Temer avalia a possibilidade de gravar um pronunciamento para explicar a reforma da Previdência. O pedido foi encaminhado a ele por deputados da base aliada, que pedem ao governo para arcar com o ônus da reforma. Os parlamentares estão sendo pressionados para que se posicionem contra as mudanças na concessão dos benefícios e querem que Temer vá à TV explicar o que está em jogo.

No dia em que milhares de brasileiros foram às ruas para protestar contra o endurecimento das regras da Previdência, Temer deu demonstrações públicas de que não pretende ceder significativamente e procurou deixar claro que tem evitado tomar atitudes ou medidas populistas. Em nenhum momento, no entanto, ele citou as manifestações, preferindo dizer que “a sociedade, pouco a pouco, vai entendendo que é preciso apoiar este caminho para colocar o País nos trilhos”.

Em evento do Sebrae e do Banco do Brasil, por volta de meio-dia, quando as manifestações já tomavam as ruas, Temer afirmou em seu discurso que não se pode fazer uma reforma “modestíssima”. “Podemos fazer uma ou outra adaptação, o Congresso é quem está cuidando disso, mas não podemos fazer uma coisa modestíssima agora, para daqui quatro ou cinco anos, termos que fazer como Portugal, Espanha, Grécia e outros países, que tiveram de fazer um corte muito maior, porque não previram o futuro”.

Depois, Temer lembrou a aprovação da PEC do teto dos gastos e disse que seu governo tem dado “rumo às contas públicas”, imunizando o Brasil contra o “populismo fiscal”.

O Planalto acompanhou as manifestações pelo País e o presidente Temer foi mantido informado. A avaliação do governo é que as manifestações são patrocinadas por quem tem poder de mobilização, que engloba as categorias que não querem perder seus privilégios. Da mesma forma que eles têm mais poder de organização e até mesmo de faltar ao trabalho para participar de protesto, ao contrário dos demais trabalhadores. “São grupos específicos que querem manter seus privilégios”, disse um assessor presidencial.

Planalto reage a vídeo e troca farpas com ator

O Palácio do Planalto divulgou ontem, na página oficial do Facebook, um vídeo para rebater ponto por ponto de um outro vídeo com notícias que chamaram de “mentirosas”, divulgado pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e protagonizado por Wagner Moura.

O vídeo, narrado pelo protagonista da série Narcos e Tropa de Elite, inicia dizendo que querem acabar com a aposentadoria. “Querem que você morra sem se aposentar”, diz a descrição. Já o vídeo do governo federal rebate, alegando que foi contratado um ator “para encenar uma ficção”.

Em nota, Wagner Moura afirmou que, diferentemente do que foi dito pelo governo federal, ele não foi contratado pelo MTST. “Wagner participou voluntariamente da mobilização, pois ao contrário do que diz o vídeo do governo, acredita que essa reforma representa mais um enorme prejuízo aos direitos dos trabalhadores brasileiros”, diz o texto.

Para o governo, a batalha nas mídias sociais terá de ser intensificada. Outros posts estão sendo preparados para serem divulgados com mais frequência do que antes justamente por conta do acirramento dos discursos da oposição, com a proximidade da votação do texto da reforma da Previdência na Câmara, previsto para o mês que vem.

 

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