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Projeção de PIB do governo fica próxima à do mercado, diz o Valor

O governo está finalizando a projeção de crescimento econômico para 2017 e o novo número, que embasará o primeiro relatório bimestral de receitas e despesas do ano, deve ficar próximo da mediana das projeções do mercado financeiro colhida na pesquisa Focus, do Banco Central, de acordo com três fontes do governo. Atualmente, essa mediana está em 0,48% de crescimento para 2017, menos da metade do 1% de expansão que o governo oficialmente ainda prevê.

Números preliminares que circularam na equipe econômica nos últimos dias apontavam para um crescimento inclusive um pouco abaixo do Focus, em torno de 0,3%, mas esse número foi retomado para reanálise, com maior probabilidade de subir.

Depois da divulgação do PIB do quarto trimestre de 2016 abaixo do esperado, o carregamento estatístico para este ano aumentou, saindo de 0,8 ponto porcentual do PIB para 1,1 ponto porcentual. Também há incerteza sobre a velocidade da retomada, apesar do discurso otimista do governo.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse esperar que a economia termine o ano com uma velocidade de 3,2% de crescimento anualizado no último trimestre deste ano ante o terceiro trimestre.

A projeção de PIB do governo é determinante para a estimativa de receitas, outra variável determinante para o tamanho do corte orçamentário. O governo evita falar em números antes de a Receita Federal calcular sua estimativa de arrecadação administrada, o que só pode ser feita depois da decisão final em torno da chamada “grade de parâmetros”, que inclui as projeções de PIB, inflação e outras.

Além disso, o governo precisa definir qual será o número a ser incorporado como receitas extraordinárias, na qual se encaixam concessões, privatizações e programas como o “novo Refis”, que já está em andamento, e a nova rodada da repatriação, que ainda não foi aprovada pelo Congresso. O governo já tem algumas frustrações, como a impossibilidade de privatizar o chamado “Sporting bet”, sistema de jogos eletrônicos, que renderia cerca de R$ 3 bilhões aos cofres. Ainda não está definido se o leilão do pré-sal será incorporado, porque até o momento não foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, projeta corte da ordem de R$ 39 bilhões. Outros economistas, como Manoel Pires, do Ibre-FGV, trabalham com um valor menor, mais próximo de R$ 30 bilhões. O governo tem que decidir o número até dia 22.

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