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Commodity volta a impulsionar bolsa, diz o Valor

O investidor estrangeiro vendeu ações para embolsar os lucros da última temporada de alta da bolsa e ainda não voltou a fazer novas apostas. Nos primeiros pregões de março, o Ibovespa tem registrado volatilidade durante o dia, mas acaba encerrando os negócios em um patamar próximo aos 65 mil pontos. Ontem, o índice ficou em 65.534 pontos, com alta de 1,33%.

Essa tendência pode ser percebida pela evolução do fluxo de capital externo na bolsa quando comparado com o desempenho do Ibovespa. A primeira vez que o índice ultrapassou 65 mil pontos neste ano foi em 23 de janeiro, com a marca de 65.748 pontos. Desta data até 21 de fevereiro, o Ibovespa alcançou os 69.052 pontos, a máxima do ano. No mesmo período, os estrangeiros colocaram mais R$ 3,5 bilhões na bolsa, alcançando R$ 7,5 bilhões.

Desde então começou o movimento de realização de lucros e o Ibovespa recuou, ontem, para 65.534 pontos. Entre 21 de fevereiro e 9 de março, os estrangeiros retiram R$ 2,7 bilhões da bolsa. No ano, o saldo de investimento estrangeiro ainda é positivo em R$ 4,8 bilhões. “O patamar atual do Ibovespa é o mesmo em que começou o último rali de alta. O volume de investimentos estrangeiros hoje é o mesmo daquela época. É como se o mercado tivesse se mantido intacto”, diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

A posição dos investidores estrangeiros no mercado de ações brasileiro também vem diminuindo no mercado futuro – considerado pelos agentes como antecedente dos movimentos a serem observados na bolsa. Segundo dados da BM&FBovespa, a posição líquida dos investidores não residentes é comprada em 59.852 contratos, uma queda de 4.955 contratos em relação a sexta-feira.

No mês de março, os estrangeiros encerraram 9.004 contratos. Essa queda de posições compradas no Ibovespa futuro ocorre desde o começo de janeiro, quando o não residente chegou a somar uma posição liquidamente comprada de pouco mais de 100 mil contratos. Para o chefe da mesa de derivativos da XP Investimentos, Bruno Bagnoli, esse movimento pode ser também resultado de operações de arbitragem entre o Ibovespa e a carteira teórica e não apenas a redução das posição compradas.

Pelo menos dois fatores têm freado a volta dos investidores estrangeiros para a bolsa em estratégias de longo prazo. Um deles é a expectativa de alta dos juros americanos. O Fed anuncia amanhã sua decisão de política monetária e a expectativa é de alta dos juros. Os investidores consideram que após essa alta ainda devem ocorrer mais duas, somando três ao todo. Mas se forem quatro altas, o efeito para os emergentes pode ser desfavorável.

Outro fator é apreensão com a “lista de Janot”. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquéritos contra políticos citados nas delações da Odebrecht. “O receio é que o envolvimento de políticos da base aliada possa atrasar as reformas estruturais”, diz Marco Tulli Siqueira, gerente de mesa Bovespa da Coinvalores.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta, acompanhando a valorização do minério de ferro, que subiu 1,8% em Qingdao, na China, para US$ 88,26 a tonelada. As ações das siderúrgicas subiram no mundo todo e aqui Vale PNA fechou com alta de 4,01% e Vale ON teve ganho de 4,59%. As ações preferenciais da Petrobras subiram 0,42% e as ações ordinárias ganharam 0,95%.

As ações do Bradesco subiram e puxavam para cima os papéis do setor. As ações ordinárias subiram 1,19% e as ações preferenciais ganharam 1,25%. Na sexta, o banco informou à CVM que o conselho de administração aprovou aumento de capital em R$ 8 bilhões por meio de bonificação de ações. Outra ação de destaque foi da Cemig, que subiu 4,84%. A companhia indicou que pretende levantar R$ 6 bilhões com a venda do controle de quatro hidrelétricas. As ações Suzano Papel e Celulose subiram 1,23% após a empresa anunciar aumento de preço de US$ 30 por tonelada de celulose para o mercado chinês. Com o reajuste, a cotação chegará a US$ 660 por tonelada.

Nos EUA, as bolsas iniciaram a semana em compasso de espera antes da decisão do Fed. Após ajustes, o índice Dow Jones fechou em baixa de 0,1%, a 20.881,48 pontos. O S&P 500 subiu 0,04%, a 2.373,47 pontos. O Nasdaq avançou 0,24%, a 5.875,78 pontos. (Com agências internacionais)

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