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Com aval de Temer, Padilha fica em silêncio sobre denúncias é o título de matéria no Globo

Alvo de denúncias da Lava-Jato, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) voltou ontem de licença médica e se negou a responder às acusações de que recebeu e intermediou recursos da Odebrecht para campanhas do PMDB, inclusive em dinheiro vivo. A decisão foi respaldada pelo presidente Michel Temer, após uma conversa entre os dois logo pela manhã.

Só vou falar quando e se eu for chamado para depor. Não vou falar sobre o que não existe. Citação não é motivo para nada — disse Eliseu Padilha ao GLOBO.

O ministro foi citado por três delatores da Odebrecht sobre o repasse de R$ 10 milhões para o PMDB, em 2014. Um deles, o ex-diretor José de Carvalho Filho, afirmou que Padilha tratou diretamente sobre o pagamento de R$ 4 milhões ao PMDB, a ser efetuado em parcelas e em endereços indicados pelo ministro.

Padilha lembrou ontem que, pela definição de Temer, os ministros investigados se afastarão temporariamente e os que se tornarem réus serão demitidos. O chefe da Casa Civil observou que seu caso não se aplica a nenhuma das linhas de corte. Na conversa de manhã, o presidente reforçou ao seu ministro esse entendimento e deu seu aval para que ele continue à frente da pasta.

À medida que as coisas forem acontecendo, Padilha falará — disse um auxiliar presidencial, reforçando que Michel Temer pediu ao ministro que trabalhe para aprovar a reforma da Presidência no Congresso.

Em meio à expectativa da divulgação da lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deverá pedir a abertura de 80 inquéritos envolvendo cerca de 400 políticos em todas as esferas de governo do país, Temer está preocupado com a contaminação total do ambiente político, o que poderá inviabilizar sua gestão.

O foco é tocar o governo, um dia de cada vez — afirmou esse assessor.

A pessoas próximas, Padilha criticou pressões internas e externas que Temer recebeu para nomear um substituto na Casa Civil enquanto se recuperava da cirurgia. Na leitura do ministro, o fato de o presidente não atender a pedidos feitos de dentro do Palácio do Planalto e por congressistas, foi um sinal claro de confiança. Segundo relatos, Padilha disse ainda que sua volta é uma demonstração de que está “vivo politicamente” e que não tem disposição para sair. Só deixará o governo se, em algum momento, for denunciado ou se tornar réu.

Na Câmara, o líder do PT, Carlos Zarattini (PTSP), cobrou explicações de Padilha. Para o petista, ele não poderia ter voltado ao cargo sem antes esclarecer as denúncias de que foi alvo.

Existem inúmeras citações ao ministro Padilha. Nós achamos que não é recomendável ele continuar no cargo com tantos elementos de recebimento de recursos que não foram esclarecidos. É necessário que haja esclarecimentos — afirmou Zarattini. YUNES SE DISSE “MULA” DO MINISTRO O advogado José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer, declarou ter recebido das mãos do doleiro Lúcio Bolonha Funaro um “pacote” destinado a Padilha. O pedido para que ele recebesse o material, durante as eleições de 2014, teria sido feito diretamente pelo ministro da Casa Civil. Recentemente, o depoimento veio a público, e Yunes disse em entrevistas que foi usado como “mula” por Padilha.

A denúncia de Yunes foi feita há cerca de 20 dias, na mesma semana em que o ministro passou mal e licenciou-se do cargo. Desde então, Padilha e o Planalto não deram explicações sobre o caso ou citações a outros ministros em delações. Na última sexta-feira, a situação se complicou, quando José de Carvalho Filho disse, em depoimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que negociou diretamente com Padilha os repasses de R$ 4 milhões para o PMDB.

Na edição desta semana, a revista “Veja” revelou ainda que a construtora destinou R$ 1 milhão em espécie ao ministro por meio do doleiro gaúcho Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro, conhecido como “Tonico”.

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