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Câmbio ampara cenário de aceleração de corte dos juros, diz o Valor

Investidores globais consolidaram apostas em alta de juros nos EUA amanhã. Mas, se esse movimento fortaleceu o dólar nas últimas semanas, também ampliou as chances de uma correção de baixa na moeda americana caso o Federal Reserve (Fed, BC americano) apenas confirme as expectativas.

Alguns fundos de índice (ETF, na sigla em inglês) atrelados à moeda americana já mostram investidores dispostos a pagar mais caro para se protegerem de uma desvalorização do dólar. Na prática, isso indica que o mercado vê mais riscos de um ajuste de baixa na moeda após ser confirmada a alta de juros nos EUA.

O economista e estrategista do Crédit Agricole para a América Latina, Italo Lombardi, diz que o Fed precisa adicionar elementos mais fortes ao comunicado da decisão de quarta-feira para que o dólar volte a ganhar força. O padrão do Fed, porém, tem sido de subir juros de forma “dovish” (evitando sinais ainda mais contundentes de aperto monetário), avalia Lombardi.

Estrategistas da Icatu Vanguarda já veem o dólar próximo de R$ 3,20 como interessante para posições “táticas” de venda da moeda americana. “Posições através de estruturas de opção podem ser uma maneira de mitigar os riscos de curto prazo”, afirmam os profissionais. Ontem, o dólar fechou em leve alta de 0,24%, a R$ 3,1522, mas 1,42% abaixo do pico de R$ 3,1975 registrado na quinta passada. Segundo a pesquisa Focus, o mercado projeta cotação de R$ 3,14 ao fim de abril, taxa que embute uma depreciação de 0,39% do dólar no período.

O enfraquecimento da divisa dos EUA seria mais um elemento a dar suporte à crescente expectativa de aceleração do processo de alívio monetário no Brasil. Ontem, os contratos de juros futuros negociados na BM&F chegaram ao fim do pregão projetando 79% de probabilidade de corte de 1 ponto percentual da Selic em 12 de abril, acima dos 74% da sexta-feira. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2018 caiu a 10,01% ao ano, ante 10,07% do ajuste anterior.

Mais instituições revisaram para baixo as projeções para o juro básico nos próximos meses. A Modal Asset Management já vê corte de 1,25 ponto da Selic em abril e maio. O BNP Paribas passou a projetar decréscimo de 1 ponto em cada uma das reuniões do Copom até setembro.

O chefe de pesquisa econômica do BNP para a América Latina, Marcelo Carvalho, vê inclusive dois riscos de redução dessa expectativa. O primeiro é de a Selic chegar ao patamar de 8% ainda mais rápido do que o antecipado caso o BC decida cortar o juro numa velocidade “ainda mais rápida” que de 1 ponto. “O segundo é que a taxa terminal no atual ciclo fique ainda mais baixa do que 8%, à medida que o BC testar novos limites cíclicos e estruturais”, afirma, em relatório. Na Focus, a mediana das projeções para a Selic ao fim do ano caiu a 9%, ante 9,25% na semana anterior.

Apesar de enxergar espaço para mais alívio monetário, Lombardi, do Crédit Agricole, diz ser plausível esperar os eventos dos próximos 30 dias antes de revisar a projeção oficial, hoje de corte de 0,75 ponto da Selic em abril. O economista da Mapfre Investimentos, Luis Afonso Fernandes Lima, é mais conservador e estima manutenção da velocidade de alívio monetário por ver riscos políticos e ao câmbio.

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