Noticias

Analistas do Focus já projetam inflação de 4,19% este ano é o título de matéria no valor

Após a inflação surpreender para baixo em fevereiro, os analistas do mercado financeiro reduziram suas expectativas para os preços e os juros neste ano, segundo o boletim Focus, do Banco Central.

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017 recuou de 4,36% para 4,19%. Em 12 meses, a expectativa saiu de 4,56% para 4,54% e, para 2018, seguiu em 4,50% pela 33ª semana seguida. A projeção para o IPCA de março recuou de 0,30% para 0,27%.

O IPCA subiu apenas 0,33% em fevereiro, menor taxa para o mês desde 2000. O resultado ficou abaixo do piso das estimativas, de 0,38%. Em 12 meses, subiu 4,76%, menor taxa desde setembro de 2010. Após a divulgação do dado pelo IBGE, na sexta-feira, uma série de instituições revisou o IPCA de 2017 para baixo.

O Itaú foi uma delas. A estimativa do banco saiu de 4,4% para 4,1%. O Bradesco, que já previa 3,9% este ano, afirmou que a safra de grãos recorde reforça essa expectativa. A queda dos preços dos alimentos foi o principal fator de desaceleração do IPCA em fevereiro.

A desaceleração da inflação também levou a revisões na Selic. No Focus, a mediana das expectativas para o fim deste ano saiu de 9,25% para 9% e, para o fim de 2018, de 9% para 8,75%. O Itaú revisou a projeção de 9,25% para 8,25% ao fim de 2017.

Na contramão, o grupo Top 5 de médio prazo, que vinha com uma expectativa de inflação bem mais baixa que a do mercado em geral, elevou sua expectativa de 4,05% para 4,21% em 2017 e de 4,24% para 4,30% em 2018. Também elevou a aposta para a Selic ao fim de 2018, de 8,75% para 9%, nível a que deve chegar já no fim de 2017. Quanto à atividade, o mercado reduziu a estimativa para o PIB deste ano de 0,49% para 0,48%, mas elevou a projeção para 2018, de 2,39% para 2,40%.

A despeito da surpresa com a baixa inflação de fevereiro, os economistas do mercado financeiro continuam a esperar um corte de 0,75 ponto percentual na Selic em abril. A taxa de juros está, atualmente, em 12,25%.

Assim, na reunião dos próximos dias 11 e 12 a Selic iria a 11,50%. Depois, haveria mais dois cortes de 0,75 ponto, um de 0,50 e dois de 0,25 ponto. Ao fim de 2017 a taxa básica de juros chegaria a 9%. Na semana anterior, a expectativa era de que o corte iria até 9,25%.

Depois que o IPCA subiu apenas 0,33% em fevereiro, menor taxa para o mês desde 2000, alguns analistas passaram a ver a possibilidade de o BC acelerar o corte da Selic para de 1 ponto.

A queda da taxa básica de juros tem melhorado também a expectativa para o resultado nominal das contas do setor público, segundo números do boletim Focus. De 10 de fevereiro a 10 de março, a expectativa para o resultado nominal deste ano caiu de 9,05% do PIB para 8,86% do PIB. Para 2018, recuou de 8% para 7,85% do PIB. A expectativa para o ano de 2019 também caiu, mas um pouco menos, de 7,20% para 7,10% do PIB.

A melhora em 2018 e 2019 está mais relacionada à queda no pagamento de juros da dívida, uma vez que a expectativa para o resultado primário desses períodos tem se deteriorado. Enquanto a estimativa para o déficit primário de 2017 tem se mantido em cerca de 2,3% do PIB ao longo das últimas semanas, a projeção para 2018 saiu de déficit de 1,63% do PIB em 10 de fevereiro para 1,70% em 10 de março. Para 2019, a projeção de déficit primário saiu de 0,90% para 1%.

Deixe uma resposta