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Investidor reforça aposta em corte de 1 ponto percentual na taxa Selic, diz o Valor

Os mercados começam a semana de decisão de política monetária nos EUA com convicção renovada na ideia de que o Banco Central vai acelerar o ritmo de cortes da taxa Selic no próximo mês. Nem mesmo riscos em torno de nova alta de juros nos EUA esvaziaram essa aposta, embora a tenham diminuído durante o pico de estresse dos últimos dias.

O raciocínio por trás dessa avaliação é que as condições para o BC continuar afrouxando a política monetária estão e continuarão dadas, apesar de eventual aperto monetário americano. A inflação doméstica segue perdendo fôlego; a economia, embora dê os primeiros sinais de que está deixando o fundo do poço, continua fraca; e a taxa de câmbio se mantém relativamente comportada, abaixo de R$ 3,20.

Se o mercado esperava algum indicador que referendasse a aposta de um Copom mais agressivo, o IPCA de fevereiro cumpriu com louvor esse papel. A taxa foi a mais baixa para o mês em 17 anos, o acumulado em 12 meses caiu abaixo de 5% pela primeira vez desde junho de 2012 e o índice de difusão que mede quão disseminadas estão as variações dos preços recuou ao menor patamar em mais de uma década.

O IPCA mais baixo combinado com o forte ajuste positivo nos mercados externos levou investidores a turbinar apostas em corte de 1 ponto percentual da Selic (que está em 12,25%) em abril. A probabilidade implícita nos contratos de juros futuros da BM&F saltou a 74% na sexta-feira, contra 38% no dia anterior.

Foi o suficiente para o Itaú Unibanco revisar sua projeção para a taxa Selic no fim do ano de 9,25% para 8,25%. O BNP Paribas espera juro ainda mais baixo, de 8%.

Os contratos de juros da BM&F, porém, ainda indicam Selic perto de 9%. Confirmadas as expectativas, há espaço para ajuste adicional nas taxas, o que pode representar oportunidade extra de ganhos na renda fixa. Quem começou 2017 posicionado via títulos prefixados em prol de mais quedas da Selic já lucrou o dobro do CDI (taxa negociada entre bancos) do período.

O economista-chefe da Garde Asset Management, Daniel Weeks, segue vendo corte de 1 ponto da Selic em abril, a despeito dos números fortes do mercado de trabalho americano. Weeks estima que a Selic cairá a 8,5% até o fim deste ano e diz que seu cenário é sustentado pela percepção de queda do juro de equilíbrio diante da confiança de implementação de reformas econômicas. “Estamos com a faca e o queijo na mão para reduzir o juro de equilíbrio no Brasil”, diz.

Apesar do risco Fed, analistas também esperam que um suporte extra à queda de juros no Brasil continuará vindo do câmbio. O Morgan Stanley que prevê sete altas de juros nos EUA até o fim de 2018, duas a mais que o precificado pelo mercado vê o real 6,6% mais forte até o fim de março. E mesmo o Bank of America Merrill Lynch, com uma visão mais conservadora para o câmbio, estima que a moeda brasileira chegará ao fim do mês próxima dos atuais patamares.

Na sexta-feira, o dólar caiu 1,57%, a R$ 3,1448, na maior queda diária em seis meses. O DI janeiro de 2021 fechou a 10% ao ano, 21 pontos-base abaixo da taxa da sessão anterior, baixa mais intensa em dois meses.

O UBS projeta nova queda das expectativas de inflação colhidas pelo Banco Central para a pesquisa Focus a ser divulgada nesta segunda-feira. A Focus ainda indica queda de 0,75 ponto da Selic em abril.

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