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Ex-diretor da Dersa estuda como tornar-se colaborador com a Justiça, diz o Valor

Citado por delatores da Odebrecht por suposto envolvimento no que seria um esquema de arrecadação ilícito para campanhas eleitorais tucanas em São Paulo, o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza tem analisado a viabilidade de fechar acordo de delação premiada como medida para evitar uma eventual acusação por crime de prevaricação omissão praticada por funcionário público durante o desempenho da função.

Paulo Vieira de Souza coordenou na Dersa ao longo do primeiro período de Geraldo Alckmin como governador de São Paulo e na gestão José Serra, entre 2002 e 2010, diversas obras de infraestrutura no Estado de São Paulo. No governo Serra, Souza chegou a ser diretor da autarquia. Na campanha de 2010 a então candidata Dilma Rousseff insinuou em um debate presidencial contra Serra que Souza atuaria como arrecadador de campanhas tucanas. Nada foi confirmado e todos os envolvidos negaram irregularidades.

Souza não teme ser acusado de corrupção. Ele tem reiterado a pessoas próximas que jamais operou propinas ou atuou como arrecadador para qualquer campanha eleitoral, a despeito das afirmações do operador financeiro Adir Assad, que tem dito que o ex-diretor da Dersa teria recebido R$ 100 milhões em um suposto esquema envolvendo a empresa do governo de São Paulo. Assad, que atuou como emissor de notas frias para diversas empresas com contrato público, está disposto a fazer delação premiada para as diversas operações que o investigam, mas já reconheceu que não tem provas de supostos fatos ilícitos sobre os quais afirma ter tomado conhecimento. Ele e Paulo Vieira de Souza se conhecem.

O que preocupa o ex-diretor da Dersa entre 2007 e 2010 é a possibilidade de ser acusado de não ter tomado nenhuma providência ao tomar conhecimento de esquemas irregularidades.

Paulo Vieira de Souza não procurou advogados especializados em delação premiada na Lava-jato, conforme apurou o Valor. Ele tem se consultado com seu advogado há mais de 20 anos, Edgar Leite. Como ex-ocupante de cargo público, Souza responde a ações judiciais que lhe imputam supostos atos de improbidade administrativa. Procurado, Leite não foi encontrado para comentar o tema.

Ocupantes de cargo público que tomam conhecimento da existência de ilícitos mas não os denunciam estão sujeitos a ser acusados de prevaricação omissão de funcionário público no exercício da função. Não há caso até o momento, no entanto, de acordo de delação para evitar ser acusado deste delito.

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