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Ministro quer socorrer bilionários da saúde com dinheiro do andar de baixo é o título da coluna de Elio Gaspari na Folha

O deputado Ricardo Barros é aquele engenheiro que o ministro Eliseu Padilha mencionou como o “notável” do Partido Popular que substituiu o médico Raul Cutait durante o processo de escolha do ministro da Saúde de Michel Temer. O maior doador de sua campanha eleitoral, com um cheque pessoal de R$ 100 mil, foi o empresário Elon Gomes de Almeida, dono do plano de saúde Aliança.

Barros entrou atirando. Criticou a amplitude do SUS e disse que estimularia a adesão de novos fregueses aos planos de saúde privados. Disse isso numa época em que há grandes planos de saúde quebrados, outros na fila e todos sofrendo um dreno de 1,5 milhão de fregueses, 192 mil só em janeiro passado.

Para resolver o problema dos planos, e só deles, Barros lançou a ideia de um plano popular no qual os clientes fingem que pagam e os maganos fingem que atendem. Um sistema de medicina privada que produz bilionários (em dólar) está precisando de dinheiro e quer buscá-lo no fundo do tacho do andar de baixo. É o populismo alternativo. Com a novidade, será mais fácil aumentar as mensalidades, mais difícil marcar uma consulta e até impossível ter acesso a procedimentos mais complexos. Se os planos caros atendem mal, é fácil imaginar o mafuá que Barros produzirá.

A ideia de Barros pode ter todos os defeitos, menos um: ninguém será obrigado a aderir a essa mágica. Vai quem quer, e quem for, que arroste.

Padilha tinha 4 ‘senhas’, diz delator da Odebrecht é o título de matéria no Estadão

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, recebeu da Odebrecht ao menos quatro senhas para o pagamento de caixa 2 ao PMDB, entre agosto e setembro de 2014, segundo disse o exexecutivo José de Carvalho Filho em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anteontem. De acordo com ele, as senhas tinham os seguintes nomes: “Foguete”, “Árvore”, “Morango” e “Pinguim”.

Conforme reportagem publicada ontem no Estado, Carvalho afirmou ao TSE que Padilha intermediou o pagamento de caixa 2 para o PMDB. Fontes informaram que Padilha teria acertado locais de entrega do dinheiro da empreiteira mediante senhas trocadas com o ex-executivo. O valor destinado ao PMDB chegou a R$ 5 milhões – desse montante, R$ 500 mil seriam para o então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Procurado pela reportagem, Padilha disse estar em repouso por recomendação médica e não se manifestou.

O Estado apurou que Carvalho procurou o peemedebista para solicitar os endereços onde seriam entregues as quantias. Segundo Carvalho, um dos locais indicados pelo atual ministro foi o escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer. Esse pagamento teria sido realizado em 4 de setembro de 2014.

O depoimento de José de Carvalho Filho foi feito no âmbito da ação que apura se a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger em 2014.

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