Noticias

Lucro do BNDES sobe 3%, para R$ 6,4 bi, diz O GLobo

Calote dispara e vai de 0,06% em 2015 para 2,81% no ano passado

O BNDES teve lucro de R$ 6,392 bilhões em 2016, 3% acima do obtido no ano anterior. Um dos principais fatores que pesaram no resultado foi o aumento das provisões para risco de calote, que subiu 523%, para R$ 9,1 bilhões em 2016.

Provisões são uma reserva que o banco faz para um eventual gasto futuro. Elas não têm efeito sobre o caixa do banco, mas pesam negativamente no balanço financeiro. O BNDES não diz quais empresas tiveram sua classificação de risco de crédito deteriorada, mas analistas apontam que a telefônica Oi e empresas investigadas pela Lava-Jato e que estão com endividamento muito alto, como Odebrecht, são fortes candidatas a estarem nesta lista.

O índice de inadimplência (mais de 30 dias de atraso) também subiu: de 0,06% em 2015 para 2,81% em 2016.

Ironicamente, a crise econômica ajudou o resultado do banco. Com a recessão, o BNDES emprestou menos e aplicou os recursos que sobraram em caixa, com efeitos positivos sobre sua receita.

A principal fonte de receita do BNDES é a chamada intermediação financeira, ou seja, os ganhos com operações de crédito. Esses ganhos podem acontecer basicamente de duas formas: por meio do pagamento de juros e parcelas dos financiamentos pelos clientes que tomaram crédito no passado ou pelas aplicações financeiras dos recursos disponíveis. O produto de intermediação financeira subiu 28%, para R$ 25,8 bilhões.

— Queremos liberar o máximo possível de crédito para melhorar a economia. Mas não houve demanda — disse Ricardo Baldin, diretor de Controladoria.

O banco desembolsou no ano passado R$ 88 bilhões, queda de 35% sobre 2015 e o menor desde 2007.

Dois outros fatores que não afetam o caixa, mas têm impacto no balanço contribuíram para o resultado do BNDES no ano passado. Com a valorização da Bolsa de Valores em 2016, as baixas contábeis da carteira de ações foram menores. Saíram de R$ 9,7 bilhões em 2015 para R$ 5,3 bilhões em 2016.

R$ 1,5 BILHÃO PARA UNIÃO

Houve ainda efeito positivo do crédito tributário das provisões. Mesmo que as provisões não signifiquem gastos imediatos para o BNDES, o banco paga imposto sobre esse valor e gera um crédito que poderá ser compensado no futuro. Esses créditos tiveram impacto positivo de R$ 4,8 bilhões em 2016.

Com o lucro, o banco provisionou R$ 1,518 bilhão para o pagamento de dividendos a seu acionista controlador, a União. O valor equivale ao valor mínimo obrigatório, ou 25% do lucro líquido após constituição de reserva legal.

Conteudo originalmente postado no Portal :

Deixe uma resposta