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Defesa de Lula faz ‘propaganda política’, diz Moro é o título de matéria no Estadão

Juiz veta pergunta de advogado do petista a Henrique Meirelles em audiência da Lava Jato

Em mais um embate com a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz Sérgio Moro afirmou ontem, durante audiência da Lava Jato, que o advogado Cristiano Zanin Martins faz “propaganda política” do governo Lula. A declaração do juiz foi feita ao vetar uma pergunta de Zanin ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ouvido como testemunha de defesa de Lula na ação penal do caso triplex.

Pelos elementos que o senhor tem, o governo do presidente Lula foi um governo que trouxe benefícios ao País e não um governo que tenha buscado benefícios pessoais para os governantes e pessoas do alto escalão do governo?”, indagou o advogado a Meirelles.

Moro interrompeu. “Ele (Meirelles) responde sobre fatos apenas”, disse. “A impressão é que a defesa está fazendo propaganda política do governo anterior Não é apropriado, aqui existe um objeto de acusação bem delimitado. Fica indeferida a pergunta”, afirmou o juiz. Segundo Moro, o advogado buscava ouvir a “opinião” do ministro.

Zanin negou. “Propaganda política não estou fazendo, Excelência. Até porque eu sou advogado e não cabe a mim fazer nenhum tipo de consideração de natureza política. Eu só estou enfrentando a acusação difusa que o Ministério Público lançou nos autos.”

Ação. Meirelles, que foi presidente do Banco Central na gestão do petista, prestou depoimento ontem, por videoconferência, de Brasília, na ação em que Lula é réu por corrupção e lavagem de dinheiro.

Zanin questionou se Meirelles, “em algum momento, identificou alguma prática indevida do ex-presidente”. “A minha relação com o presidente Lula era totalmente focada em assuntos relativos ao Banco Central e à política econômica e, nesta interação, eu nunca vi ou presenciei nada que pudesse ser identificado como algo ilícito ou ilegal”, respondeu o ministro.

Meirelles ainda foi questionado se “teve conhecimento de algum elemento concreto que pudesse indicar a presença de uma estrutura criminosa de poder durante o governo do presidente Lula que tivesse o presidente Lula como comandante dessa estrutura criminosa”. “Eu não tive acesso a nenhum tipo de informação sobre isso, inclusive, porque não era o papel do Banco Central”, declarou.

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