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Calote de empresas com BNDES disparou em 2016, diz a Folha

A crise econômica fez dispararem os calotes em financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Em seu balanço de 2016, divulgado nesta sexta, o banco informa que 2,81% de sua carteira de crédito está com inadimplência superior a 30 dias. Em 2015, o índice era de apenas 0,06%.

Devedores sem pagar há mais de 90 dias equivalem a 2,43% da carteira, contra 0,02% registrados no final do ano anterior.

O aumento da inadimplência e a piora na classificação de risco das empresas tomadoras de empréstimos obrigaram o banco a sextuplicar suas provisões para risco de crédito, que chegaram a R$ 9,156 bilhões no fim de 2016.

A medida é citada como um dos fatores que impactou negativamente o resultado do ano. Em 2016, o BNDES teve lucro de R$ 6,392 bilhões, 3,1% maior do que em 2015.

“Como o banco quase nunca empresta sem garantias, o índice de inadimplência não é relevante”, disse em entrevista o diretor das áreas de gestão de risco, tecnologia da informação e controladoria do banco, Ricardo Baldin.

“É um número que reflete o cenário macroeconômico do país”, completou.

Ele defende que os indicadores de inadimplência do BNDES são inferiores à média do Sistema Financeiro Nacional, o que seria reflexo de uma “gestão cuidadosa” da carteira.

Segundo Baldin, o aumento nas provisões também reflete esse cuidado, já que o banco tem sido conservador ao definir os valores provisionados.

LUCRO

O aumento no lucro do BNDES foi provocado principalmente pela redução das perdas com suas participações acionárias, que saíram de R$ 5,405 bilhões em 2015 para R$ 3,341 bilhões em 2016.

Em 2015, o BNDES promoveu baixas de R$ 9,7 bilhões no valor de suas participações acionárias. Em 2016, as baixas foram menores, de R$ 5,3 bilhões.

Com o lucro, o banco provisionou R$ 1,518 bilhão para o pagamento de dividendos a seu acionista controlador, a União. O valor equivale ao valor mínimo obrigatório, ou 25% do lucro líquido após constituição de reserva legal.

Em janeiro, a nova gestão do BNDES mudou a política de distribuição de dividendos, limitando os repasses a 60% do lucro, com o objetivo de reforçar o caixa após a devolução de R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional, feita no final do ano.

O BNDES terminou 2016 com R$ 876,137 bilhões em ativos, 5,9% menos do que no ano anterior. A queda foi provocada justamente pela devolução dos recursos e compensada pelo aumento do valor da carteira de participações, diante da melhora do mercado acionário no país.

Dados já divulgados pelo banco mostram que o desempenho operacional mostrou retração, acompanhando o cenário econômico nacional.

O valor dos desembolsos, R$ 88 bilhões, representou uma queda de 35% em relação a 2015. De acordo com o teto divulgado nesta sexta, tal volume de desembolsos é suficiente para gerar ou manter 1,334 milhão de empregos diretos e indiretos.

Baldin evitou fazer projeções de desembolsos para este ano, dizendo apenas que espera liberar mais recursos do que em 2016. 

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