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A Moreno, presidente admite saída de ministros é o título de matéria no Globo

Na estreia do ‘Moreno no Rádio’, Temer diz que pressão pode gerar desistência

Na estreia do programa “Moreno no Rádio”, do colunista do GLOBO Jorge Bastos Moreno, ontem na CBN, o presidente Michel Temer disse que pode acontecer de algum ministro pedir para sair do governo, pressionado pela divulgação de delações premiadas da Operação Lava-Jato. Na próxima semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos de inquéritos de uma nova leva de políticos acusados de receber propinas da Odebrecht.

Questionado sobre eventuais afastamentos e demissões de ministros citados por ex-executivos da Odebrecht, Temer reafirmou o critério de só demitir um ministro quando ele se tornar réu, mas reconheceu que o ministro pode pedir para sair, devido à “pressão”.

— Pode ocorrer que haja uma tal pressão que o próprio ministro, em dado momento, diga: “Olhe, não posso continuar, não quero continuar, isso aqui está me prejudicando demais, e eu vou cuidar da minha vida”. Isso pode acontecer, mas aí você sabe, eu tenho que esperar os acontecimentos — respondeu.

Depois de ter sido alvo de críticas do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), Temer contemporizou a relação dos dois, e negou que o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava-Jato em Curitiba, influencie o Palácio do Planalto, rebatendo Renan:

— Não, absolutamente não existe (influência de Cunha). E com o senador Renan eu tenho dialogado permanentemente, tenho certeza de que nós vamos continuar dialogando. Evidentemente, essas afirmações não têm sustentação. Imagine se o Eduardo Cunha, que está, enfim, distante, pode influenciar alguma coisa aqui.

O presidente citou ainda que a escolha do ministro da Justiça, o deputado peemedebista Osmar Serraglio, aliado de Cunha, só se deu porque outros dois cotados — Antonio Mariz e Carlos Velloso — recusaram assumir o ministério.

Ontem, porém, Renan afirmou que, se não há influência de Cunha no governo, é preciso que Temer demonstre isso.

— O presidente disse que não está havendo influência do Eduardo Cunha. Se não está havendo, melhor. Só precisamos redirecionar os sinais. Porque os sinais que estão postos atestam que há mais do que uma influência, há uma remontagem a partir de um processo de chantagem, e o presidente não pode absolutamente ficar refém disso

PROGRAMA TEM QUATRO PARTES

Os jornalistas Pedro Bial e Renata Lo Prete, que participaram do programa de Moreno na CBN, comentaram as palavras de Temer, da política à poesia. Durante o programa, Temer recitou um poema escrito recentemente em um guardanapo.

— Que paixão é essa não correspondida? Será que ele (Temer) está falando metaforicamente da opinião pública brasileira? Ou das mulheres brasileiras reagindo à homenagem que ele fez tão desastradamente no Dia Internacional da Mulher? O que você acha, Moreno? — alfinetou Bial, rindo, ao que o anfitrião do programa respondeu: — Isso é um mistério dos poetas, Bial.

O “Moreno no Rádio” vai ao ar às sextas-feiras, das 14h às 15h. A ideia é mesclar bate-papos com artistas e políticos, além de relatos de bastidores da política.

— Eu cheguei a fazer pequenos comentários na CBN no início da rádio, na década de 1990, mas é a primeira vez que tenho um programa. Ele tem quatro partes definidas: são duas entrevistas (uma com personalidade da política, outra do meio artístico), uma História do Moreno, quando tento ligar um fato atual com um fato histórico vivido por mim, e a Agenda do Moreno, em que converso com jornalistas sobre a semana que passou e a que virá — explica Moreno.

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