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Para economistas, IPCA em fevereiro fica abaixo de 5% no acumulado em 12 meses, diz o Valor

Com o comportamento ainda muito positivo dos preços de alimentos e bebidas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ceder para menos de 5% em fevereiro, considerando a variação acumulada nos últimos 12 meses, pela primeira vez desde junho de 2012, quando a taxa de inflação chegou a 4,92%.

De acordo com a média das estimativas de 25 bancos e instituições financeiras ouvidos pelo Valor Data, a inflação aumentou 0,44% em fevereiro, praticamente a metade de alta de 0,9% observada em igual mês do ano passado. Com esse alívio, a inflação acumulada em 12 meses deve ter cedido de 5,35% em janeiro para 4,86% no mês passado, um número bem próximo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, atualmente de 4,5% no ano.

Se confirmado esse resultado, será a inflação mais baixa desde setembro de 2010 (4,7%). As projeções para o índice, que será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), variam entre 0,38% e 0,53% para o mês.

Para o Santander, boa parte da desaceleração do IPCA no acumulado em 12 meses é resultado da desinflação de alimentos e bebidas, como vem acontecendo desde setembro. Naquele mês, a inflação em 12 meses estava em 8,48%, índice que deve cair para 4,89% em fevereiro, estima o Santander.

No mesmo período, a inflação de alimentos no domicílio saiu de uma alta de 16,5% para um aumento de 4,5%, no acumulado em 12 meses, observa o banco. A alimentação no domicílio tem peso de 16,85% no índice.

Apenas em fevereiro, esse componente deve registrar deflação de 0,4%, estima o Santander, um resultado que contrasta com a sazonalidade do período, que é de alta. Para a Rosenberg, chama a atenção a queda disseminada de preços dos alimentos in natura nesta época do ano.

Apesar dos efeitos do choque de oferta positivo de alimentos para a inflação, o banco Santander observa que outros componentes importantes para a tendência do IPCA, como serviços, vestuário e bens industriais, também vão continuar a mostrar melhora em fevereiro, reforçando a avaliação de que a tendência para os preços é positiva.

Em relação ao IPCA de janeiro, quando a inflação foi de 0,38%, o índice deve acelerar, no entanto. Para o Itaú, que projeta alta de 0,45% do indicador no mês passado, metade dessa variação é efeito dos reajustes de mensalidade escolar, que no IPCA aparecem apenas no índice de fevereiro.

A Rosenberg ainda destaca o comportamento do grupo habitação, que deve ganhar força à medida que saem da conta os efeitos deflacionários da queda do item energia elétrica no início do ano, movimento que deve se acentuar com a passagem da bandeira verde para a amarela na conta de luz em março.

Por outro lado, nota o Itaú, alimentos, bebidas e vestuário vão dar contribuição ligeiramente negativa para a inflação no mês, o que levará o índice a desacelerar em relação à alta de 0,54% observada na prévia de fevereiro, o IPCA-15. Ainda entre os fatores benignos, a Tendências Consultoria destaca que saem da conta os efeitos do reajuste de transporte público realizados em janeiro.

“Em 12 meses, a inflação vai ceder para 4,9% em fevereiro, de 5,35% em janeiro, consolidando ainda mais a tendência decrescente”, afirma o Itaú em relatório. Os economistas do Santander observam que o IPCA pode chegar a 4% em meados do ano, encerrando 2017 em 4,8%, diante da perspectiva de alguma retomada mais consistente da atividade econômica na segunda metade do ano.

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