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Dividida, bancada mineira vai a Temer e não garante apoio ao Planalto é o título de matéria no Valor

O presidente Michel Temer recebeu ontem dezoito deputados de Minas Gerais em reunião no Palácio do Planalto para ouvir reivindicações diversas após a ameaça de perda de apoio da bancada feita pelo correligionário e vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), que é formalmente coordenador da bancada mineira.

Apesar do gesto político do presidente em recebê-los, os deputados não garantiram apoio irrestrito ao Palácio do Planalto, dando sinais, por exemplo, de que a Reforma da Previdência só será aprovada com alterações à proposta original do governo. A bancada, entretanto, demonstra ter disposição para colaborar com o governo.

“É possível defender os interesse de Minas, debatê-los com o presidente e isso não pode se misturar com a responsabilidade que nós temos com as questões nacionais”, disse Domingos Sávio (PSDB), acrescentando que a bancada não poderia, por questões particulares do Estado, votar contra os interesses do país.

Ao mesmo tempo, a bancada de deputados de Minas Gerais prepara uma articulação para destituir Ramalho da coordenação do grupo. Trata-se de uma reação à ameaça do parlamentar, que afirmou que a bancada mineira desembarcaria do governo do presidente Michel Temer.

Ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, deputados afirmaram após o encontro, sob a condição de reserva, que “a ameaça de desembarque foi uma fala exclusiva de Ramalho”, admitindo “um movimento” para retirá-lo do comando da bancada de Minas.

Segundo deputados, a proposta para substituir Ramalho será oficializada na próxima reunião da bancada. “Esse movimento surgiu na semana passada, cresceu nos últimos dias e deve engrossar na próxima semana”, afirmou uma liderança mineira.

Após a escolha de Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ramalho anunciou o rompimento da bancada mineira com o governo, motivado pelo que considerou um desprestígio de Minas Gerais pelo Palácio do Planalto, já que Temer não escolheu nenhum representante do Estado para compor a Esplanada.

Depois de reunião com Temer, ontem, o vice-presidente da Casa e atual coordenador da bancada evitou responder se mantém a promessa de desembarque..

Apenas 18 dos 53 deputados mineiros compareceram à reunião com Temer. A falta de quórum pode ser explicada, de acordo com deputados de Minas Gerais, “pela insatisfação da bancada com Ramalho, que articulou a reunião com o presidente”.

O vice-presidente da Câmara foi contundente ao afirmar que o objetivo da conversa foi apresentar ao presidente as reivindicações do Estado. “A prioridade é o encontro de contas das dívidas. A conversa avançou e o presidente ficou de nos dar a resposta em breve”, disse Ramalho.

A intenção dos parlamentares também foi reforçar um pedido feito a Temer pelo governador Fernando Pimentel (PT), em fevereiro, para que a União abrisse uma negociação para extinção da dívida do Estado.

Os parlamentares pediram ainda um aumento da compensação financeira pela exploração de recursos minerais e retomada de obras nos Estados.

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