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Contra rejeição, da Oktoberfest ao ‘Velho Chico’ é o título de matéria no Globo

Temer visita hoje obras da transposição do rio e investe em agendas regionais para tentar driblar crise

Em ação direta para tentar reduzir a crise política e criar uma nova agenda, o presidente Michel Temer desembarca hoje, na Paraíba, para visitar obras da transposição do Rio São Francisco, numa cerimônia que marcará a chegada da água do “Velho Chico” ao estado. A viagem faz parte de uma série de iniciativas do governo em meio à tensão da Lava-Jato. Entre a visita à obra e a recepção de princesas e rainhas da Oktoberfest, em Brasília, a nova estratégia presidencial busca compromissos regionais para de reduzir a rejeição ao governo.

Nos próximos dias, será enviada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a lista ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), com pedidos de abertura de inquérito contra dezenas de políticos.

O documento tem como base as delações de 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht. Temer e seus principais auxiliares, como os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) foram citados. Além deles, a lista deverá incluir vários peemedebistas e políticos de partidos da base aliada de Temer, com alto potencial de afetar em cheio o governo.

Temer escolheu a transposição do rio como a grande obra a ser concluída em sua gestão. Iniciada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ida do peemedebista à cerimônia de conclusão do Eixo Leste irritou petistas. Entre eles, o próprio Lula. Temer estaria se apropriando de uma conquista do antigo aliado.

MARCA DE GOVERNOS PETISTAS

Numa provocação aos governos petistas, o presidente diz que esta será mais uma obra iniciada no passado concluída em sua gestão.

— O projeto São Francisco garantirá a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas no Nordeste. A conclusão do Eixo Leste significa o fecho de mais uma obra que iniciada no passado — anunciou o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola.

Ele reforçou que ações como essa, que têm sido priorizadas pelo governo, revelam “a preocupação do presidente em superar divisões no país, buscando o diálogo, a eficiência e a pacificação em benefício de todo o povo brasileiro”. No Nordeste, Temer amarga seu mais baixo grau de popularidade.

Na primeira tentativa de diferenciação sua gestão da sua antecessora afastada, Dilma Rousseff, o Temer anunciou, em julho de 2016, que priorizaria a conclusão de cerca de duas obras inacabadas pelas gestões petistas, com custo total estimado em R$ 2 bilhões. Os trechos não concluídos da transposição entraram nesse rol pela importância social da obra na região e, também, pelo impacto que teria a entrega em qualquer que fosse o governo.

AS “CANECAS” DE CERVEJA DE TEMER

Além de investir em anúncios e visitas ao Nordeste, nas últimas semanas o Temer tem feito cerimônias locais no Palácio do Planalto. Ontem, nomeou a cidade catarinense de Blumenau (SC) como Capital Nacional da Cerveja. O evento e o discurso de Temer foram atípicos, pelo seu perfil formal. Prometeu comparecer este ano à Oktoberfest e beber “três canecas de cerveja”. Num momento em que lembrou muito as frases sem sentido da ex-presidente Dilma em discursos, como a clássica saudação à mandioca, Temer disse que a festa alemã organizada em Blumenau é um exemplo de “pacificação” e que “você não vê alguém tomando cerveja sozinho”.

— Ainda não tive a alegria de ir à Oktoberfest, mas quero ver se agora, em face do convite, vou tomar umas três canecas. As canecas até recebi, mas não tomei cerveja — disse ele, que ressaltou a cerveja como “fenômeno de agregação e congregação”. — Você não vê alguém tomando cerveja sozinho.

Outros eventos de Temer nas últimas semanas foram para liberar milho a pequenos produtores nordestinos, autorizar obras em Sergipe e anunciar recursos para a merenda escolar. Nessas ocasiões, ele disse que o governo estava com os mais pobres e anunciou verbas de surpresa.

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