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Aloysio Nunes diz que não há crise com Argentina por voos britânicos é o título de matéria na Folha

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, disse nesta quinta-feira (9) em Buenos Aires que a queixa da Argentina sobre a autorização de pouso a aviões militares britânicos rumo às ilhas Malvinas em aeroportos brasileiros “não é uma crise”.

Acrescentou que os procedimentos que permitiram essas aterrissagens estão sendo reavaliados e que o critério usado até agora para permiti-los foi o “humanitário”.

“Nossa posição sobre o apoio à Argentina com relação ao reclamo pela soberania das Malvinas é intocável, é um ponto fundamental do relacionamento entre os dois países.”

Mais cedo, a chanceler argentina, Susana Malcorra, havia dito a jornalistas que “a nossa queixa [em relação à autorização dos pousos] existe” e que a Argentina ainda espera uma resposta do Brasil sobre o tema.

Aloysio iniciou sua primeira viagem ao exterior com um encontro com sua colega argentina, no qual foi “verificado o andamento da implementação das decisões tomadas por nossos presidentes”, segundo o chanceler.

Ele e Malcorra reuniram-se, na sequência, com os chanceleres do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, e do Paraguai, Eladio Loizaga. Os ministros disseram que o foco do encontro foi acelerar as negociações do acordo do Mercosul com a União Europeia (UE).

“Queremos avançar nesse entendimento, pois há um interesse grande por parte deles”, disse Aloysio. Malcorra considerou que, nos últimos meses, esse “interesse foi renovado e configura uma boa oportunidade para o bloco”.

Já o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, reforçou que o Mercosul se encontra numa fase diferente com relação há três anos. “Naquela época se buscava uma unidade política, agora nós respeitamos mais as diferenças ideológicas e tentamos encontrar modos de trabalhar juntos.”

VENEZUELA

Os chanceleres disseram não terem discutido a mudança de status da Venezuela no Mercosul —o país está suspenso sob a justificativa de não ter cumprido os regulamentos do bloco.

“A Venezuela tem uma posição peculiar. O que temos hoje no Mercosul é uma convergência de pontos de vista em relação a muitas questões, como a concepção de liberdade de comércio, de respeito às liberdades democráticas e à segurança jurídica”, afirmou Aloysio.

Acrescentou que não sabe “até quando a suspensão da Venezuela vai durar. Nossa preocupação é com a situação democrática, com o respeito ao calendário eleitoral, com os presos políticos”.

Ele disse ainda que o Brasil continuará a receber venezuelanos e que quer “reafirmar nossa vocação como país de acolhida, reconhecendo como refugiados pessoas que mesmo sem serem responsabilizadas individualmente são apanhadas numa crise humanitária”.

Após o almoço dos chanceleres, o brasileiro esteve brevemente com o presidente Mauricio Macri. “Foi mais um abraço”, resumiu Aloysio.

LAVA JATO

Questionado sobre se a divulgação dos casos de corrupção no Brasil não dificultavam a diplomacia internacional do país, o chanceler discordou.

“Esses temas mostram que o Brasil tem instituições funcionando, que o Ministério Público está atuando. Não é uma coisa detrimentosa para o Brasil, mas sim um sinal de saúde e vitalidade democrática”.

Sobre a economia do país, Aloysio se mostrou otimista e disse que “vários setores estão mostrando uma reação, hoje temos um rumo, um horizonte e um presidente com sólido apoio parlamentar”. 

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