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Joesley Batista quis ‘comprar o silêncio’ de ex-sócio, diz MPF é o título de matéria no Estadão

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizaram ontem a 2.a fase da Operação Greenfield, que apura fraudes em negócios de fundos de pensão com grandes grupos empresariais. Em despacho assinado pelo procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, o MPF afirma que Joesley Batista, proprietário da holding J&F, e o empresário Mário Celso Lopes, ex-sócio de Batista, arquitetaram “meios a fim de influir ou dificultar a investigação” sobre irregularidades envolvendo o aporte de R$ 550 milhões da Funcef, fundo da Caixa, e da Petros, da Petrobrás, no FIP Florestal – depois incorporado à Eldorado Celulose.

Mário Celso teve a prisão autorizada pelo juiz Vallisney de Souza, da 10.a Vara Federal de Brasília. Ele foi solto na tarde de ontem, após prestar depoimento no interior de São Paulo.

O juiz chegou a autorizar a realização de buscas em endereços de Joesley e suas empresas, mas o MPF voltou atrás e requereu a revogação das medidas. A Procuradoria alegou que a Justiça ainda não reconheceu o descumprimento de acordo feito entre os investigadores e a J&F.

Após a decisão a respeito do descumprimento, o Ministério Público Federal voltará a requerer novas pedidas”, afirmou o procurador Anselmo Lopes em requisição à Justiça.

Dissimular’. De acordo com o MPF, um contrato de R$ 190 milhões firmado entre a J&F e a Eucalipto Brasil SA, ligada a Mário Celso, cujo objeto era o “fornecimento de maciço florestal”, teve como finalidade “dissimular a real intenção” de Joesley Batista, que era “comprar o silêncio” do ex-sócio a respeito dos ilícitos ocorridos na criação da empresa Florestal.

Para os investigadores, o fato de o contrato entre a J&F e a Eucalipto Brasil ter sido assinado dois meses após a deflagração da 1.a fase da Greenfield, em 23 de novembro de 2016, “leva a supor” que a celebração teve “objetivos escusos para que informações relacionadas aos fatos investigados na Greenfield” não viessem à tona.

Mário Celso participou da constituição da Florestal S/A (atual FIP Florestal). Na época, o empresário era o principal sócio da MCL Empreendimentos e Negócios, que se aliou à J&F para a formação da companhia que, entre 2009 e 2010, recebeu os aportes financeiros de R$ 550 milhões de Petros e Funcef. Após a fusão entre a Florestal e a Eldorado, Mário Celso vendeu sua participação para a holding da família Batista.

Após a deflagração da primeira fase da Greenfield, a Eldorado Celulose firmou o contrato com a Eucalipto Brasil e, menos de um mês após o fechamento do negócio, foi retirada uma cláusula do contrato, o que beneficiou Lopes em detrimento da Eldorado e dos sócios minoritários, Funcef e Petros.

O Ministério Público Federal suspeita que a retirada da cláusula foi uma articulação com o propósito de “comprar o silêncio” de Mário Celso, pois ele conheceria as irregularidades envolvendo o recebimento dos recursos dos fundos de pensão. Para os investigadores, as movimentações acionárias e negociações que viabilizaram os investimentos feitos pelos dois fundos de pensão beneficiaram Mário Celso e seu filho e sócio, Mário Celso Lincoln Lopes.

Eldorado. Segundo o Ministério Público Federal, o crime praticado por Mário Celso e Joesley Batista contra os fundos de pensão se deu em duas etapas. Na primeira, afirmam os investigadores, a participação dos empresários na Florestal SA foi superavaliada para que, mesmo após o aporte milionário dos fundos, o controle da empresa ficasse com a J&F.

Em um segundo momento, quando foi feita a fusão entre a Florestal e a Eldorado, os empresários novamente supervalorizaram a Eldorado, a fim de diluir ainda mais a participação acionária da Funcef e Petros no empreendimento.

Os investigados Joesley Batista e Mário Celso Lopes conseguiram o controle de uma nova grande empresa sem precisar ter realizado o investimento condizente com o valor de tal empresa”, afirmou o MPF.

Por meio de sua assessoria, a J&F enviou ao Estado nota na qual “esclarece que nenhuma das suas empresas foi alvo de busca e apreensão ou qualquer ação policial no âmbito da Operação Greenfield” ontem.

Ainda de acordo com a nota, a empresa afirma que, quanto ao processo que tramita na 10.a Vara Federal de Brasília, seus advogados já entregaram a defesa e agora aguardam novos pronunciamentos do juiz responsável pelo caso.

O Estado tentou contato com a defesa de Mário Celso Lopes mas, até a conclusão desta edição, não obteve resposta.

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