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CVM põe em dúvida balanços da Petrobrás, diz o Estadão

A Petrobrás está na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que questiona as práticas contábeis da empresa para proteger suas exportações de variações do real frente ao dólar, operação conhecida tecnicamente como contabilidade de hedge. A petroleira tem até o dia 18 para se defender. Caso não convença o órgão regulador do mercado financeiro, será obrigada a refazer todos seus balanços financeiros desde 2013.

Até que a CVM apresente definitivamente uma posição, nada será alterado, segundo o diretor Financeiro da companhia, Ivan Monteiro. Em teleconferência, ele garantiu que o resultado de 2016 será divulgado no dia 21 deste mês, como estava previsto, e que a mesma prática de hedge será adotada no cálculo desse resultado.
A estatal e CVM divergem sobre o perfil exportador da estatal. Os técnicos da autarquia sugerem que o que seria uma proteção para vendas ao exterior são, na verdade, um mecanismo para blindar a empresa de ver a sua dívida disparar toda vez que o dólar subir em relação ao real. Mas, contrariando a CVM, Monteiro diz que as “exportações estão acontecendo e vão continuar acontecendo no futuro”. Ele garante ainda que, independentemente do que a autarquia decidir, o patrimônio da empresa não será alterado.

O diretor passou o dia de ontem reunido com sua equipe jurídica para preparar uma “robusta argumentação” a cada um dos pontos levantados pelo órgãos regulador. Em ofício, o corpo técnico da autarquia chegou a sugerir que a estatal inflou os lucros de 2013 e reduziu prejuízos de 2014 e 2015.

Sigilo. Na última sexta-feira, a Petrobrás recorreu à CVM pedindo sigilo dos andamentos do processo para evitar que a imagem e a reestruturação interna da companhia fossem prejudicadas. A petroleira mencionou reflexos negativos em mercados financeiros de outros países onde também negocia ações. Apesar dos apelos, teve o pleito negado, o que foi interpretado como derrota por especialistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Em sua fala, Monteiro fez questão de ressaltar que a discussão de prática contábil não pode ser confundida com todo episódio envolvendo o registro de pagamento de propina na Lava Jato. No mercado financeiro, a notícia, somada à forte queda do preço do petróleo no mercado internacional, gerou instabilidade nas ações da empresa ontem. Os papéis preferenciais fecharam em queda de 4,15% e as ordinários, de 6,17%.

Com uma possível mudança na política de proteção cambial, a empresa poderá pagar dividendos, apontaram analistas financeiros em relatórios aos clientes. O Itaú BBA estima que a empresa poderá lucrar R$ 18,5 bilhões em 2016, em caso de mudanças na prática contábil. Mas a maioria dos bancos demonstrou pouca preocupação com os questionamentos da CVM.

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