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PIB do Brasil cai 3,6% em 2016 e país tem pior recessão da história recente é a manchete da Folha

Em um ano marcado por turbulências políticas, a economia brasileira encerrou 2016 com queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (7).

Foi o segundo ano seguido de queda do indicador, que já havia recuado 3,8% em 2015.

Considerando o início da recessão, em 2014, o país acumulou queda de 9% –a pior já registrada pela série, que começa em 1947–, segundo os critérios adotados pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Com o recuo de 0,9% no PIB do quatro trimestre, o país acumula 11 trimestres seguidos de recessão. 

O resultado levou a economia brasileira de volta ao mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010. 

Além da profundidade, a recessão no período se destaca por sua dispersão em todos os setores da economia, algo incomum em períodos de crise anteriores, diz Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE.

No ano, a agropecuária caiu 6,6%, seguida pela indústria (queda de 3,8%) e pelos serviços, que recuaram 2,7%. Desde 1996 o país não tinha quedas nos três principais setores da economia.

A taxa de investimento em 2016 foi a pior da série histórica do IBGE. No ano passado, o indicador chegou a 16,4% do PIB.

A construção civil, que corresponde a cerca de 50% dos investimentos, é a principal responsável por essa redução.

O segmento foi afetado pela crise no setor imobiliário e pela Operação Lava Jato, que investiga as maiores empresas do setor.

A restrição do acesso a crédito nos bancos e as taxas de juros em alta também pressionaram os investimentos para baixo. 

TRIMESTRE

Contrariando a expectativa do mercado, a economia encolheu 0,9% de outubro a dezembro, ante o trimestre anterior. Os analistas esperavam que essa queda fosse menor, de 0,5%.

Pela ótica da produção, dos três setores da economia, só a agropecuária avançou no quarto trimestre, com alta de 1%. Indústria e serviços caíram 0,7% e 0,8%, respectivamente.

“Nos serviços, todas as atividades apresentaram resultado negativo, especialmente os serviços de informação (-2,1%) e transporte, armazenagem e correio (-2,0%)”, informou o IBGE.

Já pela ótica da despesa, o consumo das famílias teve queda de 0,6%, recuando pelo oitavo trimestre consecutivo. A formação bruta de capital fixo (investimentos) caiu 1,6%, e a despesa de consumo do governo teve ligeira alta, de 0,1%, praticamente estável em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O recuo do PIB no quarto trimestre do ano passado foi maior do que o observado no terceiro trimestre (queda revista de 0,7%, contra recuo de 0,8% informado anteriormente), mas levemente melhor do a queda de 1,1% do último trimestre de 2015 quando comparado ao período imediatamente anterior.

Em relação aos últimos três meses de 2015, a redução foi de 2,5%.

O PIB totalizou R$ 6,267 trilhões em 2016.

Já o PIB per capita —ou seja, a divisão do PIB pela população do país– teve queda de 4,4%, alcançando R$ 30.407. 

Os investimentos sofreram um tombo em 2016, reduzindo 10,2% no acumulado do ano. O consumo das famílias, pressionado pela alta do desemprego e o endividamento, despencou 4,2% no mesmo período.

Impulsionadas pela desvalorização do real, principalmente no início do ano, as exportações expandiram 1,9% em 2016, enquanto as importações caíram 10,3%.

O consumo do governo, importante vetor de aquecimento de demanda no país, também teve queda no ano passado, de 0,6%. A queda, contudo, não chega a ser pior que a registrada um ano antes, de 1,1%.

No quarto trimestre, a queda foi de 0,1%, menos pior do que verificado no trimestre imediatamente anterior, que teve queda de 0,8%.

PARA FRENTE

 A expectativa do mercado é que o desempenho no primeiro trimestre deste ano já esteja em terreno positivo. Para 2017, a projeção é de crescimento de 0,49% do PIB, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda (6). 

A queda da inflação e a redução da taxa de juros pelo BC são as principais razões para o ânimo de economistas, que esperam que, com isso, famílias e empresários voltem a consumir e investir.

A melhora na demanda por commodities e o aumento da safra agrícola —principais produtos da pauta de exportações brasileira— também explicam o otimismo.

A visão positiva para 2017 contrasta com o ano de 2016, marcado pelo aprofundamento da recessão, com aumento do desemprego e piora da atividade econômica sobretudo nos setores de comércio e serviços, que levaram mais tempo para sentir os efeitos da crise.

Fatores políticos, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e as investigações de negócios e políticos na Operação Lava Jato, pioraram esse cenário, afetando a confiança na economia e freando investimentos e consumo.

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