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Meirelles diz que resultado é ‘espelho retrovisor’ e que país começa a crescer, diz O Globo

Ministro afirma que retração no ano passado já era esperada e destaca aumento da confiança

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ontem que a queda do PIB em 2016 já era esperada e foi resultado de políticas adotadas no governo passado, que levaram a economia brasileira a passar pela pior crise de sua História. O ministro ressaltou, porém, que a economia voltou a crescer e chamou o PIB divulgado pelo IBGE de “espelho retrovisor”.

— O PIB que foi divulgado se refere ao ano passado. É um espelho retrovisor — afirmou, ao discursar na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto. — O Brasil é um país que começa a voltar à normalidade. Sentimos ainda os efeitos da recessão, mas o país começa a crescer.

Meirelles afirmou que a retração de 3,6% do PIB no ano passado é resultado de um processo de perda de confiança e de aumento do Estado, que pesou sobre a economia. Agora, no entanto, esse processo está sendo revertido, e 2017 será de crescimento.

Segundo o ministro, a adoção do teto para os gastos públicos e a apresentação da proposta de reforma da Previdência levaram à redução do risco-país e a uma maior confiança das empresas. Ele ressaltou que o avanço da agenda de reformas e o aumento da produtividade podem fazer com que o PIB potencial brasileiro passe de 2,3% para mais de 3,5%. Acrescentou que o governo está engajado não apenas em aprovar as reformas da Previdência e trabalhista, mas em tornar a economia mais eficiente.

Meirelles disse que a equipe econômica continua estudando medidas para aumentar a produtividade no país, como o aperfeiçoamento da Lei de Falências e a regulamentação das Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs). Ele citou ainda o fim da margem de preferência nas compras governamentais e a recuperação da autonomia das agências reguladoras.

EFEITO NEGATIVO

O ministro destacou que o governo tem algumas metas a alcançar. Entre elas, está reduzir o tempo gasto com o pagamento de impostos de 2.600 horas por ano para 600 horas por ano. Outra é reduzir o tempo de abertura de uma empresa de 101 para três dias.

Meirelles afirmou que o chamado carregamento, ou seja, quanto a recessão do ano passado contaminará o crescimento deste ano, será “um pouco acima de 1%”. Isso significa que o país entra em 2017 com um efeito negativo para cobrir. Como se fosse um time no segundo tempo de uma final, com a responsabilidade de recuperar o placar do primeiro tempo. Perguntado sobre as medidas já tomadas pelo governo e que não surtiram efeito a tempo de fazer o país voltar a crescer no último trimestre do ano passado, Meirelles disse que a avaliação é que tudo isso fará o país melhorar daqui para frente:

— Esse é um processo em andamento. A economia não reage num curtíssimo prazo. Vai ter muita coisa à frente. Vamos crescer a taxas elevadas nos próximos dez anos ou mais.

O presidente Michel Temer evitou comentar o resultado do PIB. Disse apenas que o governo “está saindo da inércia, e queremos abandoná-la por inteiro”.

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